terça-feira, 24 de maio de 2011

Cicatrizando Feridas

              Os arbustos balanceavam agarrados aos pinheiros um intenso tango do por-do-sol. O dia estava caminhando lentamente e virando o distante horizonte, logo atrás, um pouco apressada vinha a  noite com toda sua escuridão. As ondas do mar beijavam a areia com intensidade. Caminho sobre a ponte, sento-me em seu término e começo a observar o desencontrar da natureza.
               Abraço minhas pernas e sinto-me de forma nunca sentida antes. O silêncio me fazia companhia, e conversava comigo para acabar com minha solidão, por vezes com um sorriso pálido e irônico.
                O céu estava alaranjado, o mar vermelho e via-me com uma mancha escura em torno de mim que poderia impedir outros de me verem. Chovia sobre a ponte, mas não sobre mim, e aquilo ao invés de confortar-me somente aumentava minha dor. Pôr minhas lágrimas para fora, ou não, não fazeria muita diferença. Era necessário libertar algumas palavras, mas meu companheiro parecia não querer ouvir-me naquele momento.
                Em instantes surgiu uma longa escada diante de mim, e via-me parado nela. Ao invés de subir eu regredia e parecia estar mais disposto fazendo isso que o inverso. Sentando sobre a ponte, e ainda abraçado a minhas pernas, começo a me incomodar ao ver minhas disposição em regredir. Quando gritei para alerta-lo, mas na verdade estaria me alertando, a luz e a escada desaparecem. Parecia ser inútil aquela ação, tal quanto sentia-me ao estar ali.
               Solto minhas pernas, levanto-me e caminho em direção a margem. As ondas cobriam e descobriam a ponte, e molhavam meus pés com seu toque frio. Começo a caminhar sobre a areia e observo a marca de minhas pegadas sobre ela. E notei que era daquela mesma forma que eu estava: marcado por palavras, por atitudes, por humilhações...
          Enquanto caminhava e observava as pegadas, surge uma onda que em contato com a areia a movimenta o que fez apagar as pegadas marcadas nela. Parei, e me vi sorrindo. O silêncio não seria o melhor companheiro naquele momento, nunca ele poderia fazer as marcas dissiparem.
                Já era noite, a lua iluminava o mar. A praia estava deserta. Não havia ninguém nas margens, nem próximo a estrada. A areia, porém, se encontrava cheia de pegadas. E parecia ser um longo trabalho para as ondas ter que apagá-las.
                Sinto um arrepio na pele, e sento-me na areia. Olhava ao céu e via a marca das estrelas, olhava a lua e via a marca de suas crateras, olhava ao mar e via a marca das inúmeras ondas. Sim, marcas... Todas tão belas! Eu estava marcado, mas poderia tornar aquilo belo se obtivesse uma companhia. Nem as estrelas, nem as crateras, e nem as ondas se encontravam sozinhas, por isso não perdiam sua beleza, sua vitalidade...
Ouvia a voz das ondas, naquele instante estava tentando me enganar que nada daquilo era real, que eu não fosse real.
Passo o indicador de leve na areia, como se tocasse o mar, e traço uma face sorrindo.
Eu me vi! Não. Na verdade eu não me vi, eu estava! Não. Na verdade eu não estava, eu sentia! Não. Eu não sentia, eu estava vivendo aquilo. E sorri, na verdade foi inevitável não sorrir. Eu estava feliz! Não. Na verdade eu estava alegre. Não... Não... Não! Eu só estava ali... Vendo, sentindo e vivendo aquele sentimento, porém ainda sua dor.
Não houve mais nada, nada mais houve ali. Restava eu e meu sentimento, nada a mais, nada além!
Se essa era a ferida que causava dor, seria necessário cicatrizá-la.
Erguei-me e progredi.
       Por: Wesley Carlos               

3 comentários:

  1. "Não houve mais nada,nada mais houve ali.Restava eu e meu sentimento,nada a mais ,nada além"
    Wesley Nesta sua frase resumo o que se passou comigo no momento que escreví "Lembranças",nunca tinha escrito nada antes e quando a Lindalva me convidou a participar do Ostras enviei sem nenhuma pretenção,fporem fiquei muito feliz de ter sido classificada pra grande final e preciso do seu apoio(se você achar que mereço é claro),porém mais importante que o seu voto será o seu parecer sobre o poenma.
    Tenha um bom dia!

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  2. Ótimo o texto Wesley. Suas prosas são muito boas se ler. Tem umas metáforas sensacionais aí, conmo por exemplo a primeira frase. Adorei.

    Abraços.

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  3. Querido Wesley estava sentido falta tua no Ostra. Profundo escrito o teu Cicratizando Feridas. Quanto a fazeres parte da Academia Nauta de Letras, um cantinho que idealizei no Ostra esteja presente na festa de premiação no dia 29 (domingo) momento em que entregarei a Pena de Ouro ao vencedor ou vencedora, tb inovei desta feita e vou premiar do 2º ao 4º lugar com uma placa e como sempre ocuparão cadeiras na ANL todos que participaram do evento com seus escritos, no caso tu serás um dos diplomados, já estou arrumando os diplomas, no caso da Célia Maria, que está concorrendo na final ela não receberá certificado, pois já é um membro da ANL..

    Como vês amigo é uma grande brincadeira, que tem por finalidade unir os blogueiros e difinduir a poesia...

    Foi uma honra ter um escrito teu no meu humilde cantinho e em julho planejo o 5º Pena, e terei imenso prazer em te ter novamente participando.

    beijos no coração.

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Gostaria de agradecer, por você ler e comentar nos artigos postado neste blog, pois escrevo com amor e fico feliz quando vejo um pedaço da Essência de vocês aqui em baixo. Quando você comenta me dá a direção a qual devo tomar, o que tenho que escrever e/ou esclarecer.
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