sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Usurpação

Nosso verde está sendo levado...
Impureza! Oh, pecado!
...
Nesta ânsia por dinheiro...
Impureza! Oh, pecado!
...
Nossa água cada dia mais poluída...
Impureza! Oh, pecado!
...
Nesta rotina capitalista...
Impureza! Oh, pecado!
...
Nossa vida sem devido tratamento...
Impureza! Oh, pecado!
...
Nesta vida desdenhada de impurezas,
para se criar as mais inaceitáveis purezas,
que compram no instante que condenam
essa nossa sociedade
...
Nosso verde, nossa água, nossa vida...
Impurezas! Oh, pecado!

Por: Wesley Carlos

domingo, 18 de dezembro de 2011

A Festa Anual das Extenuações

A chuva que se desprendia das nuvens não impedia que algumas pessoas se descolassem até o mercado e as lojas para efetuarem as últimas compras de natal. Fiquei por instante calado e observando as pessoas trafegaram de um lado para o outro, olhando as vitrines, correndo da chuva, deixando as sacolas caírem...
Mirei o olhar ao chão e suspirei: há tempos a essência natalina desfalecera na sociedade. O consumismo exagerado empacotou o amor que hoje é vendido pelas lojas e expostos em vitrines.
As pessoas comemoram, anualmente, brindando com a infelicidade a morte do amor da sociedade. A data, que se refere ao nascimento de Cristo, é também o comprovante do óbito do espírito social de todos nós.
O natal hoje é a abominação do ser afável. É como se não houvesse vidas, não existissem sonhos. É como se fossemos produtos e o capitalismo o comprador de nossa essência natalina.
Se observarmos fica nítido perceber que a fome ainda não acabou, as desigualdades ainda não acabaram, a miséria ainda existe. E os “seres de amor” desfrutam de banquetes, estão no alto das pirâmides esquecendo-se dos que estão abaixo e a luxuria somado a gula resulta neste egoísmo perceptível que demonstra a velocidade que a sociedade caí para o abismo escurecedor de nossos olhos e extingui da vida, a vida e o direito de viver.
A sociedade se mantém em um processo de deiscência e a amenização do amor a cada ano, e sua inversão de valor, levará de forma influenciadora ao mesmo declínio a nossa sociedade jovem.
Os slogans de produtos tratam o natal como à época do amor, época da afloração de sentimentos. Desacredito que este amor existe por passarmos uma ceia natalina sabendo que em algum lugar do mundo alguém passa fome, passa frio... Ou eles não são seres de amor? O amor, então, só atinge alguns? Há, no entanto, uma divergência.
De que importa comemorar o natal? Cristo nasceu, mas onde está o amor que ele nos recomendou para com o nosso próximo? A solidariedade ainda existe? Por que atos bons andam tão ocultos dentro de nós?
A bondade já não domina mais nossas atitudes. Anunciamos anualmente que o amor existe, e anos vem e vão com esta mesma ausência, com esse incomodante passeio ao seio da insignificância, com essa aprimoração no ato de abraçar a falta de coragem de lutar por um mundo melhor, um mundo onde transborde amor, e assim, exista natal.
A essência natalina é agora presentes e banquetes. Cristo nasceu e fez coisas maravilhosas em nosso meio, atitudes que provaram quão grande amor tem por nós. O que você fez para mostrar o amor pelo teu próximo? Fez algo para dissipar a fome? Lutou contra as desigualdades? Protegeu os inocentes? Empenhou-se para o mundo ser melhor?
Sem respostas, levo-me somente a lembrar daquela canção: “Noite feliz... Noite feliz...” A chuva já cessara lá fora, a escuridão da noite já caíra sobre o céu de estrelas que brilhavam tanto quanto as janelas rodeadas de luminárias por toda a vizinhança.
                 Ali próximo um homem de pés descalços, de roupa suja e perfurada, remexia em uma lata de lixo procurando algo para comer, para vender, enfim... Procurando algo para se manter vivo! Será mesmo que todos estão felizes? Pense bem!
Por: Wesley Carlos

O Dia Seguinte

                - Fernando! – grita uma voz feminina do cais da praia acenando para um rapaz sentado sobre um tronco na areia enquanto corre batendo seus cabelos lisos e pretos ao vento e ele, a poucos metros, ficava a olhando calado.
                Era uma manhã de domingo, o tempo estava nublado e algumas andorinhas passeavam pelo céu. A margem estava vazia e era possível somente ouvir o som da água beijando a areia ao som suave e melancólico das andorinhas. Clara, a jovem que antes gritara, se aproxima de Fernando que já não a olhava mais.
                - O que faz tão cedo por aqui?
                - Estou refletindo... – disse em tom sério e abafante que Clara teve de se esforçar para ouvir.
                Fernando mirava seus olhos a areia e começava a traçar algo que Clara observava tentando desvendar antes que terminasse. Os sons emitidos pelas andorinhas calavam o silêncio expresso por eles.
                - Estive por aqui ontem – comentava Clara sem perceber que Fernando não mostrava interesse pela conversa – e resolvi voltar hoje. Eu sabia que antes de amanhã você viria aqui...
                - E porque quis vir? – perguntava ele mantendo a mesma tonalidade de voz que a anterior.
                - Preciso muito lhe dizer algo, talvez depois de hoje as coisas mudem entre nós.
                - As coisas entre nós já mudaram a muito tempo, Clara. Você que ainda não percebeu... Não há mais “nós”, na verdade nunca existiu, agora sou “eu” e, talvez, “você”.
                - Eu sei... Pode falar o que quiser, todas as palavras serão merecidas. Mas aquilo no passado foi medo.
                - Medo? Se fosse medo, nada disto teria acontecido. Se fosse realmente medo não teria me dito que aquilo. Se fosse simplesmente medo você não estaria aqui... – desabafava ele ainda em tom baixo, mas desta vez deixava uma pequena lágrima caminhar em sua face e se desprender pelo ar.
                - Mas eu não vim para falar do ontem, venho para falar de amanhã...
                - Não tenho nada para falar sobre isto.
                - Mas eu tenho, só queria que me ouvisse.
                Ele suspirou fundo, passou o polegar sobre os olhos e olho na direção contrária AA jovem ainda mantida em pé.
                - Quero que me perdoe, Fernando!
                - Clara, para com isso, por favor! Você sabe que lhe perdoei antes mesmo de cada perdão que me solicitou. Você sabe que o que existe em mim, e que já foi para você, exalava perdão para cada ato teu. Mesmo me machucando, me ofendendo. Não tinha como não lhe perdoar...
                - Então olha em meus olhos e diga que me perdoou.
                - Não posso...
                - Não pode me olhar ou me perdoar?
                - Dou-te como resposta sua primeira pergunta...
                - Porque está economizando palavras? Conversa comigo, Fernando. Olha-me como antes, brinca comigo como antes, sorria como antes...
                - Clara, pare! Não toque em feridas curadas... – falava ainda olhando na outra direção na tentativa de esconder as pequenas lágrimas que caíam.
                - Então você irá mesmo noivar amanhã?
                Um frio intenso começa a percorrer o interior de Fernando, suas mãos começaram a ficar tremulas, seu semblante mudava espontaneamente, a língua junto aos outros órgãos ficavam na dúvida do que responder. Ele se pôs sobre os pés, mirou os olhos dentro dos dela, ambos lacrimejavam, não se ouvia ondas, nem andorinhas, parecia que tudo estava em silêncio para ouvir a resposta dele. Clara via sua face através dos olhos claros de Fernando que ainda mirava calado os dela, eles acabavam falando por Fernando o que Clara queria ouvir, mas que não ouviu.
                Fernando suspirou, algumas lágrimas já desciam de encontro ao queixo e balbuciou engolindo a própria saliva:
                - Sim... – e virou-se a dando as costas.
                - Fernando, mas e o teu amor?
                - Não há mais amor...
                - E todo aquele amor?
                - Por que quer saber dele agora? Logo agora? – perguntava colocando a mão no cabelo como se estivesse confuso.
                - Porque eu te amo, Fernando. Demorei perceber que é você o homem da minha vida. Demorei me deixar levar nesta relação... Eu preciso de você para me fazer feliz, para sorrir comigo. – dizia ela entre lágrimas.
                - Clara, eu insisti nisto por três anos. Preservei-me por três anos... E o que eu ganhei neste tempo? As coisas não seguem o rumo que você quer. Eu não sou teu pertence para recuperar a qualquer momento. Aquela foi a última vez que eu tentei, foi...
                - E o amor? – perguntava ela.
                - Não há amor... –mentia Fernando, agora sentando no tronco, sentindo mais dor ao responder que Clara ao ouvir.
                - Isto é mentira! Eu sei e você sabe que é. Dê-me outra oportunidade?
                - Eu não quero me dar esta oportunidade...
                - E quer ser infeliz consigo mesmo para o resto de sua vida?
                - Clara, vamos parar com isto! Pare de mexer com este sentimento. Eu não quero mais...
                - Fernando, não minta para você – interrompia Clara segurando o braço de Fernando que se levantava ficando de frente a ela – Por favor, Fernando, me perdoa.
                Fernando já não controlava as lágrimas, não sabia se a olhava, se evitava olhar, se saía correndo ou se entregava a aquele amor que o impulsionava ao desejo dos outros lábios.
                - Se é meu amor que quer como perdão, Clara, eis que não terá meu perdão.
                - Como pode se negar algo? Eu estou aqui falando do meu amor, sei que ainda me ama...
                -Amanhã eu irei noivar com alguém que me ama muito. Eu agora vou valorizar o sentimento dela. Não tenho medo de correspondê-la, não tenho medo algum do sentimento dela. Vou te esquecer e aprender a amá-la. Quero que vá. Quero que não fale mais comigo, se distancia de mim...
                - E como eu fico, Fernando? – disse com as mãos na face e chorando dentro delas - Como, meu amor?
                - Da mesma forma que eu fiquei todo este tempo sem você.
                - Você está se vingando não é? Pode falar, pode dizer do teu orgulho. Mas eu vou insistir nesta relação...
                - Vingança? Orgulho? Nossa! Você realmente não me conhece...  Se houvesse tudo isto que em mim não haveria amor, nunca existiria todo aquele amor que já lhe ofereci. Eu não vou desfazer o meu noivado simplesmente porque você resolveu me aceitar agora.
                - Dê-me pelo menos sua amizade? – pedia ela e via-se o tom e o semblante sincero em sua face, naquele instante, tão triste.
                - Tinha tanto receio em perdê-la, mas parece que se foi... Eu já tenho minha casa quase mobiliada, tenho família, a mulher que me ama, verdadeiros amigos... Não sei se quero começar algo novo agora.
                - E aquele jovem humilde e meigo que despertou este sentimento em mim? Onde está?
                - Novamente me chamando de orgulho. Mas isto não é orgulho... Cansei de ser movido por você e por aquele sentimento. Acho que o jovem humilde resolveu despertar e você ficou presa ao sonho dele... – e cada palavra que ele dizia remexia cada vez mais em seu interior, doía mais nele ao falá-las que a pessoa amada ao ouvi-la, mas ele se vencia aos poucos e mesmo com lágrimas insistia em dizer – Adeus, Clara, adeus...
                E sem tocá-la, virou-se e seguiu. Clara se ajoelha na areia e libera as outras lágrimas que havia conseguido segurar durante os minutos de diálogo. Senta-se no tronco e observa o romance da onda com a areia, as andorinhas já tinham partido e começava a cair sobre si um leve sereno. Clara passa o dedo pela areia e se depara com o tracejado que Fernando havia feito. Olha em volta a sua procura e percebeu que estava só com todo aquele sentimento que em um passado não tão distante havia ignorado e que hoje não a ignorava.  
                Volta com os olhares ao traço feito por Fernando na areia para avaliar a fundo o que era, mas a onda já vira e apagara.
                Ela suspirou, levantou-se, caminho alguns passos e se lançou ao chão de minúsculos grãos: querendo que o sentimento a transformasse em areia e que a onda o carregasse e o perde-se na imensidão do mar. Ficou ali até o fim da aurora, mas sem encontrar teu fim, sem reconhecer teu fim, sem viver o sim que desejava.
                Atrás de algumas folhagens a observava Fernando, pensando se voltava ou não, pensando se valeria à pena ou não, pensando no fim que poderia viver, mas que não estava apto a entrar em sua história... 
Por: Wesley Carlos


domingo, 4 de dezembro de 2011

Intrepidez


Foi com medo de sofrer, que sofri
Foi com medo de sonhar, que sonhei
Foi com medo da vida, que vivi
Foi com medo da alegria, que sorri
Foi com medo de olhar, que olhei
Foi com medo de tentar, que tentei
Foi com medo que sonhei o medo que não vivia
Foi com medo, que realizei o que o medo não me permitia
Foi com medo de possuir tanto medo que medo realmente não possuía
Por: Wesley Carlos

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Inane Transição

Você vai e vem
Vai e vem
Inda e vinda
E eu fico
Eu fico
Eu aguardo
Não vou contigo
Retornas sem mim
No passeio surgem outros
E eu fico
Eu fico
Eu aguardo
Inda e vinda
E eu aguardo
Na sala de espera da espera inexistente
Fico, aguardo
Aqui dentro de mim...
Por: Wesley Carlos
Este texto foi escrito há certo tempo, com mais exatidão ele fora escrito antes do texto Pingo de Esperança, não se trata da forma que estou hoje, mas sim da "essência" que muitos se encontram. O que você espera hoje? Será apto esperar? Será que ela virá estando você somente esperando? Já tentou? Insistiu? Quando escrevi este "poema" eu aguardava a "felicidade", e ela não apareceu sem me ver lutando. Então, inicie sua luta agora saia de dentro de você e insista... Vale a pena, pode ter certeza!! No mais, revigoro meu muito obrigado!

domingo, 27 de novembro de 2011

Pingo de Esperança


Um pingo de Esperança as vezes representa a chegada do amor...








quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Anseios


Eu preciso me esquecer de você
Necessito apagar tuas lembranças
Desistir dos sonhos que inclusa estava
Largar toda esta insegurança
Abandonar o sentimento a qualquer coração
Excluir por inteiro sua desconfiança
...
Eu preciso lembrar-me de mim
Necessito reescrever minha história
Recuperar os sonhos de criança
Pegar o carinho que estiver disponível
Encontrar a que retribua o que tenho a oferecer
...
E viver
E respirar
E retornar a mim
De onde nunca deveria ter saído
Por: Wesley Carlos
Estava sem total inspiração para escrever, posto este poema para não deixar-vos sem alguma atualização: deixo um sinal de vida, digamos! Obrigado a todos...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Desprender-se

Você chegou quando eu saí
E ficou quando eu já não estava
Chamou-me quando tampei meus ouvidos
E sorriu no instante que meus olhos fechava

Voltei quando já não estava
E fiquei quando nem teu rastro lá existia
Respondi no instante que mudo ficava
E sorri enquanto você esquecia-se do sorriso

E ainda vinha quieta, calada
Com isso eu ia barulhento, escandaloso

E nunca nos víamos, nunca nos sentimos
Era distante o caminho entre eu e o amor

Por: Wesley Carlos

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A Última Seção


               Faltava quase uma hora para a bilheteria de o cinema abrir, e por sorte, era o décimo primeiro da fila. Mesmo com o frio a estreia do filme norte-americano estava sendo aguardada por quase todos do bairro.
                O vento trazia gotas geladas de chuva, aumentando o frio, obrigando-me a retirar o casaco amarrado na cintura e vesti-lo.  Algumas pessoas se cobriam com a capa plástica e outros reclamavam baixo da chuva que começava a cair.
                Encostei-me a parede abaixo do velho toldo verde do cinema e fitei o relógio seguindo os ponteiros. Do outro lado da rua, as lojas já abaixavam suas portas, a chuva que ameaçava cair havia escurecido a tarde de sábado fazendo as luzes dos postes acederem mais cedo.
                O som do trovão foi só uma indicação que as comportas do céu se abriam liberando a chuva forte. Uma minoria já tinha desistido da fila e correndo a deixava para se refugiarem no calor interno de suas casas.
                Retirei os olhos por instantes do relógio e voltei com os olhares à fila. Virando a esquina surgia uma jovem com um casaco rosa, segurando uma sombrinha com uma das hastes quebradas e na outra uma nécessaire preta. Um vento forte foi contra a jovem deixando sua sombrinha ao inverso, o cabelo liso se batendo e ela na chuva. Apressada veio e se posicionou no final da fila.
                O barulho da porta da bilheteria despertou o primeiro da fila que deu alguns passos para comprar seu ingresso, a chuva ainda caía e o frio aumentava. Olhei a jovem novamente que olhava para a sua nécessaire aberta procurando algo. Caminhei conforme a fila diminuía e cumprimentei a atendente:
                - Boa Tarde! Meia entrada, por favor. – falei apresentando a carteirinha da faculdade e dando-lhe a quantia necessária.
                - Boa seção, jovem! – respondeu sem me olhar e entregando-me o bilhete.
                Entrei na sala que o bilhete indicava e subi para sentar-me na última fileira. Recostei-me na cadeira acolchoada, cruzei os braços e o ambiente aquecido fazia-me fechar os olhos e respirar profundo. Comprei o saco médio de pipoca com refrigerante e desliguei o celular. Aos poucos foram chegando às pessoas, e enquanto a tela se desprendia e descia suavemente do teto, vinha a jovem e sentou-se na cadeira a minha frente.
                Fiquei observando o modo que ela se movimentava e pude a ouvir resmungar baixo do frio e do casaco aparentemente molhado. Levantei-me e, sem entender o motivo, fui e sentei ao lado da menina. Olhei por instantes em seu rosto fino, ela me olhou e sorriu, e sem retirar o canudo do refrigerante da boca, devolvi o sorriso e voltei com os olhos à tela que já estava posicionada e refletia a luz lançada sobre ela.
                Logo após o trailer e do narrador dizer o título do filme o som causado pela primeira explosão já fazia nascer expectativas para o final.
                - Este filme parece que será ótimo! – disse empolgada a jovem ao meu lado.
                - Espero! Enfrentar o frio, a chuva e perder dinheiro não seria muito legal. – respondi sorrindo e olhando para seus lábios pequenos e brilhosos.
                - Tem razão, prazer Carla!
                - Prazer Diogo!
                Ela sorriu e voltou com os olhares a tela, continuei fitando os trações de seu rosto e observava o seu piscar de olhos calmo e atencioso. Ela volta com os olhares a mim e move o cabelo para o outro lado do ombro.
                - Então... Bom mesmo o filme não é?
                - Ah! Desculpe pela fixação do meu olhar. Eles insistem em aproveitar o máximo do que lhes agradam.
                Ela sorriu e desviou o olhar de volta a tela.
                - Só não quero que perca o filme, que por sinal está ótimo. – disse sem me olhar.
                Posicionei-me melhor na cadeira e olhei para a tela. Coloquei meu braço no apoio da cadeira, recostei minha cabeça na poltrona e comecei a beber meu refrigerante sem gás e a comer minha pipoca murcha.
                - Aceita?
                - Não, obrigada! – respondeu ainda evitando o olhar – Posso te fazer duas perguntas?
                - Sim, claro! – falei mirando meus olhos nos dela.
                - Porque me observava na fila?
                - Eu não lhe observei, só olhei por alguns instantes como olhei para todos os outros.
                - E porque mudou de lugar?
                - A visão daqui é mais ampla... – respondi.
                - Ah! Tudo bem...
                - Agora posso te fazer somente uma? – perguntei.
                - Faça! – respondeu fitando ainda a tela.
                - Porque essas perguntas?
                - Um pequeno instante de visão ampla me levou a lhe perguntar, poderia ter feito com todos os outros.
                E sorrimos juntos e durante este período de demonstração de alegria nos olhamos e ficamos calados. Voltamos a observar o filme e evitei olhá-la novamente.
                - Ficou tão sério derrepente. – ela fez o comentário.
                - Não quero atrapalhar sua seção...
                - E porque atrapalha a seção dos teus olhos e dos meus ouvidos?
                - Não entendi... – respondi sem olhar e percebendo que ela me olhava.
                - Você está impedindo teus olhos de me observar, e dos meus ouvidos de te ouvir.
                Sorrimos!
                - Simplesmente porque meus olhos e seus ouvidos não querem te atrapalhar.
                - Porque tem tanta certeza disto?
                Ignorei a pergunta e correspondi ao seu olhar. E fitamo-nos uma ao outro por um longo instante. Não pensava em nada, somente observava...
                - Veio realmente ver o filme? – perguntei.
                - Na verdade, vim para me distrair. Não ando muito bem com a vida, digamos. Uns probleminhas pessoais me trouxeram aqui.
                - Sei que ainda é cedo, mas se precisar de algo...
                - Obrigada! Você me fez sorrir e eu precisa disto.
                - Fico feliz...
                Ela puxou meu braço e deitou de leve em meu ombro e balbuciou algo. Terminamos de ver o filme de forma que nunca havia começado, nem um dia terminado. Todos se levantavam e ela ficava lendo os créditos finais ainda encostada em mim, percebi que chorava.
                - Desculpe! Mas eu precisava deste ombro hoje.
                - E terá sempre que necessitar e quiser...
                - Sempre?
                Uma dúvida surgia naquele instante e não entendia o porque do diálogo, das trocas de olhares e das últimas palavras ainda em lógica e preferi ficar quieto.
                Ela levantou a cabeça e me olho nos olhos. Nossos corpos foram se aproximando lentamente fechei meus olhos e nos abraçamos. E após a soltar ela sorriu.
                - Nunca me senti tão bem após uma seção.
                - Eu também! – respondi no espontâneo e me convencendo após.
                - Desculpe pela postura indelicada.
                - Não houve indelicadeza nenhuma por aqui. Sinto-me bem por ter lhe ajudado de alguma forma e você se sente bem por ter recebido a ajuda que necessitava neste instante.
                Colocamos-nos em pé enquanto passava o final dos créditos do filme. Fomos descendo em silêncio e antes de sairmos da sala virei e ficamos um de frente ao outro.
                - O que foi? – ela perguntou.
                - Nada...
                E aos poucos fui me aproximando, segurei em seu queixo tão minúsculo, levantei um pouco sua cabeça, fixei meu olhar ao dela. Ela se mantera calada e eu tremulo.  Fechei meus olhos e carinhosamente impulsei meus lábios de encontro ao dela. Sentia sua respiração ofegante e o toque de suas mãos frias em minha cintura.
                Desencontramos nossos lábios e sem dizer nada ficamos nos olhando antes do abraço. Encostei-me na parede da sala e ainda abraçados ela apoiou a cabeça em meu peito.
                Ela levou sua mão até a minha, entrosamos nossos dedos e começamos a caminhar pelo corredor de saída. Apresentamos o bilhete final e próximo da bilheteria ela soltou minha mão e fixou o olhar em mim.
                A chuva caía mais serena junto ao vento e ao frio mais intenso. Ela suspirou fundo e me abraçou como se estivesse se despedindo e manteve-se encostada ao meu peito.
                - Obrigada pela seção!
                - Eu que agradeço, Carla.
                Segurei firme em sua mão direita e a posicionei de frente ao meu corpo. Ela segurou em meu pescoço e nos beijamos com mais intensidade que antes, como se houvesse mais sentimento que antes, como se não existisse o antes.
                - Posso te acompanhar até em casa?
                - Pode sim, Diogo.
                Ela passou a mão por trás de mim e fixou-a em minha cintura e começamos a caminhar pela calçada. 
                Obtive uma vontade de sorrir, apesar das inúmeras vezes que detestei e aboli esta prática. Mesmo que aqui dentro existia um extenso sorriso esperando ser liberto eu me convencia que não era merecedor daquela pequena alegria que surgia derrepente.
                E apesar da incomodante chuva serena e do frio chegamos ao portão da sua casa enquanto ela se apresentava um pouco a mim.
                - Será nossa última seção? – perguntei.
                - Não sei. Só sei que quero viver neste filme para o resto da minha vida.
                E enfim, sorri. Não que eu quisesse demonstrá-lo tão depressa, mas me convencer que não estava alegre naquele momento seria uma indelicadeza comigo mesmo.
                Ela aproximou seus lábios dos meus e novamente nos beijamos.
                - Esta será a última seção que vou me refugiar das lágrimas.
                E obtia outra vontade de sorrir. Passei meu braço por sua costa e acariciei seu ombro esquerdo. Ela fixou seu olhar no meu e sorriu. Foram vários olhares palavras e toques que marcaram aquela última seção, nossas tristezas e alegrias se completavam. E com a mesma dúvida e ansiedade do primeiro dia terminamos a reprodução do dia que marcou a nossa vida. 
Por: Wesley Carlos

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Incansável Coração



Quero que sonhe,
e com minha ajuda possa lutar por ele.

Quero que tente,
e com minha ajuda consiga.

Quero que sorria,
e com minha ajuda sejas feliz.

Quero que caminhe,
e com minha ajuda ultrapasse os obstáculos.

Quero que viva,
e com minha ajuda sobreviva.

Quero que se entristeça,
e com meu abraço se sinta melhor.

Quero que desacredite da felicidade,
e com minha companhia volte a acreditar nela.

Quero que esteja bem,
e com minha ajuda melhor.

Só queria que fosses incompleta,
e que se completasse sendo eu a tua metade.
Por: Wesley Carlos

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Resíduos de um sentimento



Sabe aquele sentimento que nasce, cresce e ao invés de sumir da mesma forma que chegou vai invadindo cada vez mais, tomando conta de cada pedacinho do nosso coração e trazendo para dentro dele pessoas que se tornam tão especiais e que passamos a amar de uma forma tão profunda que chega a ser inexplicável: este é o verdadeiro amor! Aquele amor que consome, que une, que traz magoa, que perdoa, que sabe valorizar e que luta e mesmo não sendo correspondido continua a tentar, a insistir.
O amor deixa esperança e por mais longe que esta esteja para ser alcançada nos anima a querer continuar com um sentimento que na verdade causa um bem enorme por simplesmente viver dentro de nós.
Passamos a olhar para aquela pessoa com outros olhos, passamos a conhecer seu interior e nesta viajem é impossível não conhecer algo além do que pensava, algo por vezes mais belo, mais apaixonante.
Sorrimos, mesmo estando triste! Olhamos com mais intensidade, o coração começa a vibrar, um frio corre pelo corpo causando um arrepio: neste momento passamos a amar e este novo amor se soma ao primeiro e a equação dá no resultado improvável e que por vezes leva ao sofrimento.
Amedrontamos-nos em como agir, e ficamos parados. O amor é tanto que vai comandando cada órgão do seu corpo dando uma timidez que nem si próprio sabia que possui... Gaguejamos, choramos escondidos, ficamos frágeis.
Depois de encontrar a metade das nossas falhas, a metade de nossas imperfeições, e por assim ser, tornam-me perfeito a mim mesmo acaba fazendo ter saudade do que ainda não conheço. Sentimo-nos incompletos, passamos a necessitar daquele amor, daquele carinho, daquele dialogo... Somente daquele.
Por mais que várias pessoas estejam ao nosso redor, é como se estivemos vagos... É como se nosso interior estivesse no interior da outra metade e corremos... Corremos de nós mesmo! Corremos com medo de errar, com medo de tentar, com medo do consumismo do olhar, com medo de respirar, de cumprimentar, de olhar e sorrir, de olhar e não sorrir, de olhar e desviar o olhar, de olhar e ficar encarando! Temos duvidas, será real? Vale à pena? Será que ela sente o mesmo? Será? Será? E ficamos imóveis, ficamos totalmente imóveis na luta por aquele amor tão grande, tão forte...
O resultado daquela soma vai dobrando seu valor, e cada vez com mais medo, mais cresce este sentimento. E depois da decepção de uma declaração queremos chamar a atenção. Provocar o improvocável... Queremos fazer nascer o que ainda não há como surgir. E nos esquecemos... Esquecemos-nos e vivemos para este amor, nos esquecemos e fazemos tudo para este amor. Sofremos ao ver-la feliz, e ao vê-la seu sofrimento logo acaba.
São incertezas, são contradições. Ali realmente havia amor... O amor real, o amor digno, o amor amigo, o amor apaixonante, o amor do bem, o amor que destrói o mal, o amor que por ser tão grande, tão complexo, logo se torna o mais imperfeito.
A seta vem, acerta um único coração. Logo surgem as trocas de olhares, mas somente um estava enfeitiçado... Somente um passa a ver o outro de outra forma, passa a amar, passa a querer, passa a ajudar mais, se aproxima o máximo que pode, faz o possível do impossível para realizar minutos, segundos talvez, de um sorriso. De um sorriso sincero, de um olhar mais avaliador, minutos de um coração aberto...
Mas a vida é assim, vamos amando, vamos alimentando um sentimento e lá na frente, quase no fim, no nosso fim, no fim do sentimento as coisas começam a mudar, sorrimos: valeu à pena esperar! Mas não... Nem sempre é assim, e por não ser assim, e por sabermos que é assim, começamos a querer esquecer este sentimento, saímos, e em outros lábios tentamos esconder o que na verdade estes desejam, e com outro olhar tentamos esconder o que por dentro é irreconhecível e ocuposo, tentar convencer-se que era bobagem, que nada daquilo existe em si... Perca de tempo! A saudade cresce mais, o desespero aumenta mais, e vai aumentando um abismo que para ser ultrapassado leva horas, dias, anos. E neste tempo, o amor, aquele amo triplica, quadriplica, vai se desenvolvendo, passa a caminhar dentro do sangue passamos a respirá-lo, e sentimos... Sentimos o que tanto necessita ser compartilhado. Sentimos o que tanto queríamos que o outro sentisse... E é justamente o que outro diz que não pode sentir, não vai sentir, não quer sentir ou se engana que não sente.
Ei, tente mais uma vez! A vida vai continuar daqui a dois minutos, quem sabe estes são os seus dois últimos. Se levar um não mais uma vez, este mesmo amor te levanta, te constrói, dar-te-á forças para tentar mais uma vez.
Se ama, pare de correr atrás do erros! Se preserve, pare! Respire, aguarde, aguarde, aguarde... Ainda há tempo, ei, sempre a tempo, ou desacredita do tempo? Desacredita de você? Eu amo! E todo este amor que eu descrevi é o que me leva a pensar tanto em você, a querer tanto você... E quando penso, lágrimas caem do meu rosto por não te ter para esquentar meus dias frios, para alegrar minhas manhas tristes, para completar minha noite vazia. Para me completar! Para viver comigo todo este amor...
Por: Wesley Carlos

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

No Ontem...




Eu devia ter tentado mais
Ter corrido um pouco atrás
Ter analisado antes de agir

Eu devia ter me esforçado exaustivamente
Ter semeado e cuidado para colher
Ter-me doado por inteiro

Eu devia ter juntado cada grão que caiu
Ter ajudado que precisou
Ter me julgado antes de julgar

Eu devia ter evitado o erro
Ter aceitado a correção
Ter corrigido quem errou

Eu devia ter feito a diferença
Ter olhado onde pisar
Ter erguido quem caiu

Eu devia ter estado mais presente
Ter no passado meu presente
Ter no futuro meu melhor

Eu devia, sei que devia, mas não fiz
E hoje, sei que é tarde para se lamentar!

Eu devia, e podia e não quis
E hoje, sei que não há porque chorar!

Eu devia, e por instantes ignorei
E hoje, sei que meu melhor oferecerei!

Desculpe pelo que deixei de fazer
Desculpe pelo que errado fiz
Me aceita?! Eis meu novo ser...

Por: Wesley Carlos



Pode parecer que vos abandonei, mas estava bastante atarefado com os trabalhos do colegial... Quando eu abandonar este espaço deixarei claro em postagem e com justificação. No mais, revigoro meu muito obrigado!!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Pacto da Decadência

Sabe aquela “massinha cinzenta” que carregamos de um lado para o outro na cabeça? É uma pena dizer que ultimamente ela sirva somente como carga ou de equilíbrio para manter seu corpo sobre os pés. Esta mesma “massinha” que corresponde a 93% da sua cabeça e é responsável por todas as relações internas e externas do corpo humano estão fechando seus portos. Na verdade, esta crise interna já iniciou há muito tempo, e parece que o pacto colonial renasceu com o comércio exclusivo com sua metrópole: o egoísmo.
Este órgão é o que nos permite o pensamento. Mas atualmente o permitir e o conseguir estão separados por um abismo tão profundo que ao cairmos nós mesmo nos perderemos na escuridão. Uma escuridão que existe por não sabermos conciliar o ato de refletir com a ação que deverá vir depois, e o que ocorre é o inverso, passamos a pensar no que foi feito quando percebemos suas consequências. Consequências tão espessas que, por assim serem, se tornaram algo comum como se fosse sensato ou necessário existirem.
                Porque o espírito revolucionário não nasce dentro de nós em um momento como este para tal pacto ser desfeito? Ah! Porque estamos tão apegados ao egoísmo que o mesmo parece abstrair o conceito de um mundo melhor. Acostumamos-nos e acomodamos enquanto grande parte da população se mantém afastada de toda a sociedade, tanto financeiramente quanto até mesmo socialmente, deixando claro que a moeda que liga este pacto é o preconceito.
                O ato de pensar que se encontra em uma negociação surpreendente através do preconceito com o egoísmo, não analisa a importância de cada um na sociedade. Todos nós dependemos um dos outros para estarmos vivos, mesmo que seja indiretamente. O entrosamento entre as pessoas é o que deu origem a necessidade de existir uma sociedade que aos poucos vai sendo destruída por um comércio que nada racional ainda explora os recursos pessoais interior: o amor.
                Sem amor, o ser humano vai seguindo nesta relação que atualmente conhecemos por guerras, conflitos, fome, miséria, destruição, degradação, vandalismo, desigualdade, racismo, luxúria, inveja, corrupção e essas relações vão seguindo, sendo transportada pelos navios da despreocupação no imenso mar da sociedade.
                O preocupante de todo este assunto que é tratado com tanta desimportânia é que a “massinha cinzenta” parece estar extinta de nós. O egoísmo é tanto que ele mesmo vai corroendo este órgão, que nos levaria a reflexão, de que o fim de tal pacto é essencial para existir qualidade de vida.
A preocupação é, na verdade, com capital e o ‘social’ sempre sai como o submisso ou dependente do anterior, e seu “bem-estar” fica sujeito a valores tão baixos, que seria milagre ele conseguir suprimir todas essas necessidades tão claras em nosso dia-a-dia e por serem tão claras tornam-se praticamente ocultas de nossos olhos.
Infelizmente é assim e será por muitos anos, se é que um dia terminem...
Vamos todos dar as mãos e pular deste navio? E quando chegarmos neste mar tão violento, ainda de mãos dadas, nadaremos juntos? E juntos vamos protestar contra este pacto? E no fim deste pacto, vamos voltar a refletir? Refletindo perceberemos que ter o preconceito como moeda não é favorável, e converteremos estes valores? Esta conversão mudaria toda a política econômica do país? E o que esta mudança causaria em mim, em você, nos outros?
O pacto está a cada ano aumentando a incidência de seu real objetivo. Os dias estão sendo tão decadentes que parece aos poucos consumirem nossos sonhos, nossos desejos e o possível “mundo melhor”.  Porque fechar os olhos e ignorar?
Em um futuro próximo, este mesmo pacto será o responsável para a nossa destruição: a destruição do nosso espírito social. E este futuro pode ser daqui a dois minutos, no próximo mês ou ainda no outro ano. Abrir os olhos agora já seria o primeiro passo para impedir o dia que esta destruição consumirá os próximos de toda a humanidade.
Esta na hora de olharmos no espelho, sem vedar os olhos, e reconhecer nossos próprios erros antes de condenarmos todo o resto da sociedade.

Por: Wesley Carlos