terça-feira, 29 de março de 2011

Busca sem Fim

O sangue escorria pelo chão formando um pequeno rastro até o corpo nele estendido, ao teu lado estava um menino que chorava abraçado ao corpo exaustivamente. A arma do crime estava próxima e o menino a olhava incansavelmente.
Lá estava à faca, o corpo estendido, o menino chorando ao teu lado, a morte, a alegria e a tristeza maior que todos os outros e que por tal tamanho sufocava o amor. Ao redor do menino estavam seus sentimentos, apenas a morte que rondava em torno de todo sem tocá-los.
Em instantes chega à ambulância e leva o corpo a emergência médica, deixando o sangue e o menino. Em seguida a morte que já tinha dissipado o amor se retira do local arrastando consigo a alegria, sobrando o menino, o sangue e a tristeza.
Ao seu redor existiam várias pessoas que o chamavam, o abraçava, ofereciam amor... Mas ele não percebia. Seu maior bem tinha sido retirado pela ambulância, sentia-se desamparado, sentia-se abandonado, indescritivelmente só...
O sangue era, agora, misturado a espuma do sabão e escorria próximo ao meio fio descendo pelo bueiro, era exatamente por ali que descia seus sentimentos, sua vida, restando consigo a dor.
A arma já havia sido levada pela polícia.
O menino estava deitado sobre uma cama, não se recordava como chegara lá, com os olhos arregalados, calado, ele refletia... Refletia em sua vida, relembrava o passado e quando isso ocorria uma lágrima de seus olhos desciam, o teto branco pelos seus olhos via-se uma mancha vermelha e ajoelhada ao teu lado estava a tristeza que insistivamente o observava e o tocava.
O som do telefone o traz de volta a si, e mira os olhos pela porta entreaberta a sala, e observa sua vizinha ir atender. Foi então que lembrara que estava na casa de sua vizinha e foi ela que a todo o momento lhe dava apoio, nisto um pequenino amor entra pelo quarto, mas este em seguida é pisado pela tristeza que por tal tamanho tornava-se injustamente mais forte, mais até mesmo que o menino que ainda quieto via a vizinha inquieta ao telefone.
Ao finalizar a ligação ela senta-se no sofá onde estava sua filha e a abraça cochichando algo em seu ouvido deixando-a inquieta também. Ela se levanta e vai vagarosamente ao quarto onde o menino estava, automaticamente ele fecha os olhos, respira fundo, ela se se senta ao teu lado e antes que ela dissesse uma única palavra ele se precipitou:
- Ela se foi né? Minha mãe se foi estou certo?
Sem perceber uma lágrima escorre pelo olho da vizinha, seguidas por outras mais amargas.
- A vida as vezes...
- Ela se foi não é? – interrompeu o garoto – Eu sei finalize isto, por favor, não agüento mais... – as lágrimas desciam a todo o momento, aos soluços e pausadamente continuou – Por favor, eu sei que ela se foi, mas me de uma boa noticia? Não sei viver sem ela, não serei nada sem ela.
A vizinha não consegue dizer nenhuma palavra abaixa a cabeça, respira fundo, e em seguida abraça o menino que chorava mais e mais.
O menino se levanta e corre em direção a rua e desesperadamente começa a gritar:
- Onde você está?- dizia olhando as estrelas – Para onde você foi? – ajoelha-se na poeira do chão sobre as pedras e gritava – Ah... Como dói, como dói isso meu Deus... Vem me abraçar mãe, vem me fazer ninar.
Sua amiga se aproxima e o abraça fortemente, as lágrimas do menino molhava o ombro de sua amiga que dizia palavras doces, meigas, esperançosas, carinhosas e verdadeiras... O amor volta a aparecer, desta vez maior e não tão vuneravel a tristeza, permanecendo entre eles.
Aos poucos seu grito desesperador foi calado, as lágrimas ainda desciam, a tristeza aumentará mais e ao redor dela insistindo em ficar estava o amor.
As estrelas brilhavam, um pequeno cereno caía, os ponteiros do relógio passavam despercebidos por todos, a lua aos poucos ia perdendo o brilho por trás das nuvens escuras que a cobria. A rua estava vazia, os grilos cantavam... A noite passava com toda sua graça e a misteriosa simpatia. O menino no quarto revirava-se de um lado ao outro na cama, não dormia apenas chorava, a tristeza e o amor o observam. Onde estaria a alegria? O menino recordava que a morte a havia retirado...
O dia nascera com toda sua beleza, colorindo as flores, o mar, o céu... O mundo para ele estava obscuro e coberto por uma mancha vermelha.
Agora estava o menino, a tristeza, o amor e inúmeras pessoas ao seu redor, ao redor do caixão. A morte não entrava no local aguardava do lado de fora da igreja. Horas depois a cova antes aberta era aos poucos preenchida, lá estava a morte que segurava a alegria pelo pulso e se deixava encobrir pela terra lançada.
O menino chorava, a tristeza vencia e consequentemente o amor sumia...
O menino senta-se no chão, aos poucos as pessoas iam se retirando do local e próximo ao menino estavam seus familiares que moravam tão distantes fornecendo carinho e amor, e os verdadeiros amigos permaneciam e aos poucos iam se despedindo e também se retirando.
O menino iria para outra cidade, viver com familiares deixando para trás amigos, história, alegria e amor, levando consigo a dor e a busca oculta por tudo aquilo que perdeu injustamente. Sentia-se distante de todos e prendeu-se em si, criando seu mundo...
Ao teu lado reinava a tristeza que ultrapassava o amor e nesse mundo o menino, agora jovem, buscava a alegria que misteriosamente não encontrava.
Dois anos se passaram a tristeza e o amor ainda eram acompanhantes de sua vida com um pequenino carinho de uma nova amiga transformando-se em alegria. Agora o jovem possuía amor, tristeza e uma pequena alegria.
Mas sua busca não se findara, esta amiga o ensinou a recordar de sua mãe não com dor mas com amor, essa sua amiga o ensinou valorizar o sorriso que possuía escondido entre os lábios, essa amiga o ensinou a valorizar a vida, a beleza de um céu azul, de uma vida colorida sem uma mancha vermelha.
Sua busca não se findara ali, começou realmente dali, antes existia um desejo oculto onde esta nova amiga resgatou do fundo da alma desse menino e o tornou vivo, uma busca associada ao teu viver...
Camila o ensinou, e ele compreendeu que na vida tudo passa como suas lágrimas passarão... Hoje o jovem é acompanhado pelo amor insuperável, pela alegria inamovível, pela tristeza inanimada e pela busca sem fim a felicidade, a sua felicidade e a felicidade de quem o rodeiam. A tristeza não foi possível esmagar o amor que criou forças para recuperar a alegria e comprovar que nem a morte pode aprisioná-la.
Por: Wesley Carlos


Um comentário:

  1. Adoreii, mtoo boom
    Meega elaboradoo...Parabéns!
    é liinduh!

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