É um prazer imenso ter vocês aqui... Infelizmente, não tenho dado ao blog a atenção que ele merece, devido a correria do dia a dia. No entanto, o "Essência da Palavra" continua ativo, apesar da frequência reduzida de publicações. O carinho de vocês pelo espaço tem grande importância a mim. Obrigado!


Wesley Carlos, 17/09/2017.

domingo, 12 de agosto de 2012

Dois Anos de Essência da Palavra

Reinauguração


Foram dois longos anos onde o sonho de se transformar sentimentos em palavras pode alcançar, de certo modo, algum público. O “Essência da Palavra”, inicialmente conhecido como “Waiting-room”, era somente um espaço para publicar o que havia escrito e deixava guardado na minha gaveta; contudo, meses seguinte, o carinho que passei a receber dos poucos seguidores que havia conquistado fora o bastante para que eu pudesse modificar o modo de tratar o blog, de me direcionar ao blog e até mesmo o modo de me expressar a partir dele. Já não queria escrever sobre o imaginário, sentia a necessidade de descrever meus sentimentos fazendo deste espaço uma recriação de mim em um ambiente fictício de meu ser.
A arte de escrever é contemplada e reconhecida quando existe alguém que possa ler onde, além de ler, sinta-se presente na história ou na poesia escrita. Quando me refiro à palavra eu vejo o leitor como o impulsor para que exista um autor. O autor pode até criar, dar o fim que desejar ao que esta criando e descrever sons e ambientes da sua melhor forma ou da forma que lhe apraz. O leitor, no entanto, é aquele que avalia o que foi lido, é aquele que se sujeita a sentir o que foi escrito, é aquele que imagina cada cena descrita onde somente ele tem a capacidade de “ver” o que o autor, por se preocupar demais em descrever, ainda não comtemplou.
Sinto como se cada texto fosse um pedaço de mim, e realmente é. Se estou triste, transfiro este sentimento para um personagem e nesta transferência crio outro que trás as palavras que necessitava que alguém me dissesse e o abraço que outrora não recebi. As palavras conseguem formar amigos para que eu possa desabafar, as palavras conseguem realizar sonhos das quais estaria longe de meu alcance e nesse poder incontrolável de ter a liberdade de criar, vou realizando sonhos, vivendo sentimentos e amando eu mesmo de forma cada vez mais complexa, mas, talvez, coerente.
Sinto o amor presente em uma poesia, sinto o calor da crítica presente na dissertação, sinto a criatividade existente em uma fábula, sinto o sonho existente em um conto, sinto o abraço sufocante de uma crônica… Sinto em cada texto uma essência que somente as palavras são capazes de formalizar, torna-se visível e sensível ao que ler.
Escrevo para ser, ou para deixar de ser, o que sou ou o que ainda não cheguei a ser; escrevo para fazer da minha vida a existência de outras vidas que só se tornam vivas quando alguém lê: como se o leitor tivesse o “poder” de um criador e de constituir diferentes aparências para uma única que eu havia criado.
O mérito de uma leitura é destinado ao leitor, nunca ao autor... Quem lê é quem dá vida; é quem sente o, antes, insensível; é quem constitui as imagens, antes, só descritas... Se não houvesse leitores, as palavras ficariam presas e imóveis: seriam inexistentes!
Escrevo para despertar imaginação, inspirar sonhos, desfazer conflitos ou constituir harmonia. A razão de escrever esta em torno da vida dos imaginários que só sobrevivem dentro de uma folha de papel... Escrevo para me colocar em risco e me salvar várias vezes revelando minha coragem e destreza; escrevo para errar e corrigir minhas próprias falhas: como se eu fosse outro, que de fora, me observa a todo instante. Como se eu mesmo fosse meu instrutor que, crítico e rígido, busca o meu melhor não ignorando nenhuma falha.
Gosto de escrever sobre sentimentos porque o sentido da existência esta em torno deles; escrevo sobre sentimentos para tornar vivo meus personagens; escrevo sobre sentimentos para sentimentalizar quem lê. Escrevo para que, quem lê, sinta-se inserido em que, indiretamente, inserido já estava; escrevo para me encontrar e, depois de achado, me perder novamente nas entrelinhas dos meus próprios sentimentos, da minha própria existência... Perder-me e me encontrar dentro de mim com o intuito de saber quem, como e o que realmente sou ou tudo que um dia já fui.
Agradeço a todos que estiveram presente comigo durante estes longos anos de sonhos realizados e sentimentos vividos. Neste espaço acabei me conhecendo um pouco mais e gostando ainda mais de mim, neste espaço tive a oportunidade de saber o que vocês sentem ao ler e a opinião do que havia lido. Respeito cada palavra que aqui for dita, porque é elas o sentido deste espaço ainda existir.
Não sei se tornarei um escritor consagrado, no entanto, as palavras já me permitiram realizar grande parte deste mesmo sonho. 
Por: Wesley Carlos

DOIS ANOS DE ESSÊNCIA DA PALAVRA
Obrigado a todos que participaram comigo até este segundo aniversário, construí este espaço com muito  carinho e sem vocês nada disso aqui teria razão para existir, as palmas abaixo são destinada a  você: Leitor!
                   
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sábado, 30 de junho de 2012

Pingo de Esperança

Republicação
Resolvi abrir a janela do meu coração e deixar a suave brisa do amor que passava entrar e se apoderar para levar o odor da tristeza. Os raios daquele sol de entusiasmo invadiam e esquentavam cada cômodo oco de meu peito. Os delicados sons das vozes dos pássaros cantavam uma história onde a paixão me brindava com um olhar mágico e impulsivo.
Não havia nuvens naquele céu de lembranças, mas havia me esquecido de o olhar deslumbrado com a visão redirecionada às flores de esperanças que desabrocharam dias atrás. A primavera surgia trazendo o perfume suave das rosas para dentro do pequeno lar e uma borboleta delicada e flácida pousava na janela de meu peito e pausadamente movimentava suas asas descansando da longa viajem até chegar a mim.
Um beija flor da sorte surge e começa a sugar a água adocicada que eu havia posto na janela para atraí-lo há alguns anos, mas como a janela esteve fechada por tanto tempo poderia não ter o visto outras vezes. Resolvi, então, abrir as portas do meu coração e começar retirar as telhas de aranha no teto e nos rodapés. Movi alguns móveis do lugar, limpei a sujeira escondida por atrás deles e aos poucos o cheiro ruim de mofo se desprendia.
Peguei a vassoura da reflexão e varri toda a amargura para a garagem e deixei para recolher e ensacar depois. Movi as cortinas: a poeira do medo caia ao chão. Parei por um pequeno instante para descansar e sentei na janela olhando o jardim: (suspiro!) Como as flores estavam lindas e não percebia por ter deixado as janelas e portas trancadas por tanto tempo...
Um raio de luz era refletido pela água do chafariz onde um pássaro da raça fé se banhava contente por eu ter permitido que a água voltasse a se acumular ali. Logo a companhia toca, levanto-me e olho para ver quem queria entrar. Abri a porta de meu peito e a felicidade, que por muito tempo não me visitava, entrou. Sentou-se, conversamos calmamente enquanto tomava o chá de ponderação que prepara meio amargo.
Naquele instante não teria como ele ser doce, o açúcar tinha acabado há tempos e já passava despercebida sua ausência em mim. Conversar com a felicidade e tomar aquele chá parecia dá mais brilho e encanto ao jardim que por tanto tempo evitei visualizar. Meio apressada ela visitou cada cômodo do meu coração e mostrava sua satisfação com a faxina que resolvi fazer derrepente:
- Faltam somente mais alguns detalhes a ser alterado e limpado para eu voltar a morar contigo... - disse com um sorriso meigo na face e passando os dedos na cômoda onde eu guardava algumas palavras fortes e amargurantes que já havia recebido.
Após andar por todo o peito, ela volta até a mesa de chá e termina de beber o da xícara comigo.
- Deseja mais? – perguntei.
- Não, obrigada! Só quis mesmo vir para mostrar o que ainda falta para eu voltar a morar aqui, tenho que partir agora. Mas não tenha presa, devagar me alcançaras. Os que vão muito rápido a minha procura passam por mim e nem me percebem.
Levantou-se e saiu, pela mesma porta que entrara, acenando.
Juntei as xícaras e guardei o chá para terminar de consumi-lo mais tarde. Mirei os olhos por volta e vi que ainda havia muito que limpar ali. Peguei um pano de arrependimento, enchi um balde com lágrimas e o pano molhado nelas serviu para limpar toda a sujeira no chão da sala.
Estava tudo muito empoeirado, apesar de agora o ambiente está claro e perfumado, a faxina duraria por alguns meses até sentir o coração limpo por completo. Havia rastros do ladrão de sonhos por toda a parte, ele entrara e levara consigo todas as caixas de sorriso da dispensa. Precisava recuperar tudo que havia perdido para a solidão que eu já tinha expulsado junto com o nascer daquele sol que modificava minha vida.
Fui até a garagem e juntei toda a amargura, lançada lá, antes que o vento a trouxesse de volta para dentro do meu coração e desanimasse minha faxina. Ensaquei, coloquei o lixo na calçada esperando o caminhão semanal de recolha de sofrimento da companhia Amizade passar e o levar para reciclar em um sorriso e trazer a caixinha cheia deles para mim.
             E, por fim, sorri enquanto algumas alegrias brincavam de esconde-esconde de frente ao portão. Um portão que por tanto tempo esteve fechado acumulando resíduos de um sonho, de um sentimento, resíduos em meu coração de outro coração. Sentei no banco do jardim e olhei o por do sol que por tempo não nascia para mim. A lua que viria parecia ser cheia: cheia de vontade de viver e parecia querer compartilhar aquele novo sentimento comigo. 
Por: Wesley Carlos 

terça-feira, 3 de abril de 2012

Marca de Sujidade

Sua aparência era bastante reprimível: de ombros largos, baixa, cabelos escuros e crespos, olhos amarelados, roupa encardida, chinelo de cor distinta, unhas grandes e acomodando sujeira, pés enlameado e magricela. De certa forma, quando Liara apareceu em minha porta pedindo um prato de alimento meu coração em sintonia com a alma chorou.
              “A páscoa novamente não chegara farta para todos”, lamentei-me.
               Convidei para que entrasse, se banhasse e vestir-se mais adequadamente. O calor daquele sol forte a fez transpirar intensamente e aquilo lhe ocasionava um mau cheiro. Indiquei onde ficava o banheiro, cedi uma toalha, uma muda de roupa nova e deixei que ela se banhasse.
                Enquanto Liara se limpava, e com isso, eu colocava à mesa uma combinação de mantimentos, deparei-me com perguntas em que o questionário que eu compunha fazia com que eu mesmo refletisse.
                A Semana Santa da sociedade insocial chegava revelando a cada um de nós teu próprio declínio da decadência do espírito social nesta ânsia imoral de comemorar a santidade sendo que atitudes dos santos ainda não cometemos.
                A ausência de amor, ou ainda, da verdadeira pureza deste sentimento, levou aos homens a paixão insaciável ao descaso com os demais seres em vida. A sociedade contemporânea vive dentro de um universo pessoal criado dentro de si onde tudo, e todas as suas ações, passam a ser reflexos desta incompetência relativa de ser social em uma sociedade egoísta e desigual: vivemos todos os dias, exclusivamente, para nós!
                A páscoa, símbolo de ressurreição, somente comprova de como precisamos renascer todos os anos e mudar. A Semana Santa, símbolo de paixão, morte e ressurreição, somente vem para mais desta ideia completar. É notório perceber o que esta incoerente a nossa volta. O problema é que vedamos nossos olhos enquanto nos deleitamos em banquetes, esquecendo-se que ali perto, existe um ser esperando que um “santo” se aproxime e ofereça um alimento e, ainda, uma simples ajuda.
               Agora me diga: onde está a ressurreição do nosso espírito social? Onde está a paixão pela vida e por sua qualidade? Será que esperaremos a morte e extinção da nossa própria existência?
              Nossa sociedade já não é mais inocente, nosso ser já se tornou algo violável. A vida aos poucos faz de si mesmo algo sem valor, e nossa pureza vai à ausência de amor... E esta mesma pureza dissipa na imundície do desprezo com nosso próximo, como se o próximo fosse inferior, estando à inferioridade dentro de si mesmo: o egoísmo!
Jesus vence a morte para mostrar o valor da vida. Nós estamos vivos, e levando nossa própria essência de forma, talvez, irreversível no colapso da ausência de ser social. E ainda somos capazes de comemorar... Que inútil!
"Onde há de estar o amor que Jesus semeou?", perguntava-me sem obter respostas.
Liara sai do banheiro segurando a toalha que ficara amarelada e me entrega quieta e apreensiva. Puxei a cadeira, pedi para que sentasse e a observei comer. Depois de se sentir satisfeita com o que havia comido, agradece com uma voz baixa e tremula. Acena indicando que irá partir e a acompanho até a porta... Sem olhar para trás ela seguia caminhando lentamente na direção da nascente do riacho e, aos poucos, desaparecia vagarosamente pelo horizonte que dali observava.
“Teria ela o que comer amanhã? Será que haveria o amanhã?”, lamentei-me.

Por: Wesley Carlos