
Resolvi
abrir a janela do meu coração e deixar a suave brisa do amor que passava entrar
e se apoderar para levar o odor da tristeza. Os raios daquele sol de entusiasmo
invadiam e esquentavam cada cômodo oco de meu peito. Os delicados sons das
vozes dos pássaros cantavam uma história onde a paixão me brindava com um olhar
mágico e impulsivo.
Não havia
nuvens naquele céu de lembranças, mas havia me esquecido de o olhar deslumbrado
com a visão redirecionada às flores de esperanças que desabrocharam dias atrás.
A primavera surgia trazendo o perfume suave das rosas para dentro do pequeno
lar e uma borboleta delicada e flácida pousava na janela de meu peito e
pausadamente movimentava suas asas descansando da longa viajem até chegar a
mim.
Um beija
flor da sorte surge e começa a sugar a água adocicada que eu havia posto na
janela para atraí-lo há alguns anos, mas como a janela esteve fechada por tanto
tempo poderia não ter o visto outras vezes. Resolvi, então, abrir as portas do meu
coração e começar retirar as telhas de aranha no teto e nos rodapés. Movi
alguns móveis do lugar, limpei a sujeira escondida por atrás deles e aos poucos
o cheiro ruim de mofo se desprendia.
Peguei a
vassoura da reflexão e varri toda a amargura para a garagem e deixei para
recolher e ensacar depois. Movi as cortinas: a poeira do medo caia ao chão.
Parei por um pequeno instante para descansar e sentei na janela olhando o
jardim: (suspiro!) Como as flores estavam lindas e não percebia por ter deixado
as janelas e portas trancadas por tanto tempo...
Um raio de
luz era refletido pela água do chafariz onde um pássaro da raça fé se banhava
contente por eu ter permitido que a água voltasse a se acumular ali. Logo a
companhia toca, levanto-me e olho para ver quem queria entrar. Abri a porta de
meu peito e a felicidade, que por muito tempo não me visitava, entrou.
Sentou-se, conversamos calmamente enquanto tomava o chá de ponderação que prepara
meio amargo.
Naquele
instante não teria como ele ser doce, o açúcar tinha acabado há tempos e já passava
despercebida sua ausência em mim. Conversar com a felicidade e tomar aquele chá
parecia dá mais brilho e encanto ao jardim que por tanto tempo evitei
visualizar. Meio apressada ela visitou cada cômodo do meu coração e mostrava
sua satisfação com a faxina que resolvi fazer derrepente:
- Faltam
somente mais alguns detalhes a ser alterado e limpado para eu voltar a morar
contigo... - disse com um sorriso meigo na face e passando os dedos na cômoda
onde eu guardava algumas palavras fortes e amargurantes que já havia recebido.
Após andar
por todo o peito, ela volta até a mesa de chá e termina de beber o da xícara
comigo.
- Deseja
mais? – perguntei.
- Não, obrigada!
Só quis mesmo vir para mostrar o que ainda falta para eu voltar a morar aqui, tenho
que partir agora. Mas não tenha presa, devagar me alcançaras. Os que vão muito
rápido a minha procura passam por mim e nem me percebem.
Levantou-se
e saiu, pela mesma porta que entrara, acenando.
Juntei as
xícaras e guardei o chá para terminar de consumi-lo mais tarde. Mirei os olhos
por volta e vi que ainda havia muito que limpar ali. Peguei um pano de
arrependimento, enchi um balde com lágrimas e o pano molhado nelas serviu para
limpar toda a sujeira no chão da sala.
Estava tudo
muito empoeirado, apesar de agora o ambiente está claro e perfumado, a faxina
duraria por alguns meses até sentir o coração limpo por completo. Havia rastros
do ladrão de sonhos por toda a parte, ele entrara e levara consigo todas as
caixas de sorriso da dispensa. Precisava recuperar tudo que havia perdido para
a solidão que eu já tinha expulsado junto com o nascer daquele sol que
modificava minha vida.
Fui até a
garagem e juntei toda a amargura, lançada lá, antes que o vento a trouxesse de
volta para dentro do meu coração e desanimasse minha faxina. Ensaquei, coloquei
o lixo na calçada esperando o caminhão semanal de recolha de sofrimento da
companhia Amizade passar e o levar para reciclar em um sorriso e trazer a
caixinha cheia deles para mim.
E, por fim, sorri enquanto algumas alegrias brincavam de esconde-esconde de frente ao portão. Um portão que por tanto tempo esteve fechado acumulando resíduos de um sonho, de um sentimento, resíduos em meu coração de outro coração. Sentei no banco do jardim e olhei o por do sol que por tempo não nascia para mim. A lua que viria parecia ser cheia: cheia de vontade de viver e parecia querer compartilhar aquele novo sentimento comigo.
E, por fim, sorri enquanto algumas alegrias brincavam de esconde-esconde de frente ao portão. Um portão que por tanto tempo esteve fechado acumulando resíduos de um sonho, de um sentimento, resíduos em meu coração de outro coração. Sentei no banco do jardim e olhei o por do sol que por tempo não nascia para mim. A lua que viria parecia ser cheia: cheia de vontade de viver e parecia querer compartilhar aquele novo sentimento comigo.
Por: Wesley Carlos