
Foram dois
longos anos onde o sonho de se transformar sentimentos em palavras pode
alcançar, de certo modo, algum público. O “Essência da Palavra”, inicialmente
conhecido como “Waiting-room”, era somente um espaço para publicar o que havia
escrito e deixava guardado na minha gaveta; contudo, meses seguinte, o carinho
que passei a receber dos poucos seguidores que havia conquistado fora o
bastante para que eu pudesse modificar o modo de tratar o blog, de me
direcionar ao blog e até mesmo o modo de me expressar a partir dele. Já não
queria escrever sobre o imaginário, sentia a necessidade de descrever meus
sentimentos fazendo deste espaço uma recriação de mim em um ambiente fictício
de meu ser.
A arte de
escrever é contemplada e reconhecida quando existe alguém que possa ler onde,
além de ler, sinta-se presente na história ou na poesia escrita. Quando me
refiro à palavra eu vejo o leitor como o impulsor para que exista um autor. O
autor pode até criar, dar o fim que desejar ao que esta criando e descrever
sons e ambientes da sua melhor forma ou da forma que lhe apraz. O leitor, no
entanto, é aquele que avalia o que foi lido, é aquele que se sujeita a sentir o
que foi escrito, é aquele que imagina cada cena descrita onde somente ele tem a
capacidade de “ver” o que o autor, por se preocupar demais em descrever, ainda
não comtemplou.
Sinto como se
cada texto fosse um pedaço de mim, e realmente é. Se estou triste, transfiro
este sentimento para um personagem e nesta transferência crio outro que trás as
palavras que necessitava que alguém me dissesse e o abraço que outrora não
recebi. As palavras conseguem formar amigos para que eu possa desabafar, as
palavras conseguem realizar sonhos das quais estaria longe de meu alcance e
nesse poder incontrolável de ter a liberdade de criar, vou realizando sonhos,
vivendo sentimentos e amando eu mesmo de forma cada vez mais complexa, mas,
talvez, coerente.
Sinto o amor
presente em uma poesia, sinto o calor da crítica presente na dissertação, sinto
a criatividade existente em uma fábula, sinto o sonho existente em um conto,
sinto o abraço sufocante de uma crônica… Sinto em cada texto uma essência que
somente as palavras são capazes de formalizar, torna-se visível e sensível ao
que ler.
Escrevo para
ser, ou para deixar de ser, o que sou ou o que ainda não cheguei a ser; escrevo
para fazer da minha vida a existência de outras vidas que só se tornam vivas
quando alguém lê: como se o leitor tivesse o “poder” de um criador e de
constituir diferentes aparências para uma única que eu havia criado.
O mérito de
uma leitura é destinado ao leitor, nunca ao autor... Quem lê é quem dá vida; é
quem sente o, antes, insensível; é quem constitui as imagens, antes, só
descritas... Se não houvesse leitores, as palavras ficariam presas e imóveis:
seriam inexistentes!
Escrevo para
despertar imaginação, inspirar sonhos, desfazer conflitos ou constituir
harmonia. A razão de escrever esta em torno da vida dos imaginários que só
sobrevivem dentro de uma folha de papel... Escrevo para me colocar em risco e
me salvar várias vezes revelando minha coragem e destreza; escrevo para errar e
corrigir minhas próprias falhas: como se eu fosse outro, que de fora, me
observa a todo instante. Como se eu mesmo fosse meu instrutor que, crítico e
rígido, busca o meu melhor não ignorando nenhuma falha.
Gosto de
escrever sobre sentimentos porque o sentido da existência esta em torno deles;
escrevo sobre sentimentos para tornar vivo meus personagens; escrevo sobre
sentimentos para sentimentalizar quem lê. Escrevo para que, quem lê, sinta-se
inserido em que, indiretamente, inserido já estava; escrevo para me encontrar
e, depois de achado, me perder novamente nas entrelinhas dos meus próprios
sentimentos, da minha própria existência... Perder-me e me encontrar dentro de
mim com o intuito de saber quem, como e o que realmente sou ou tudo que um dia
já fui.
Agradeço a
todos que estiveram presente comigo durante estes longos anos de sonhos
realizados e sentimentos vividos. Neste espaço acabei me conhecendo um pouco
mais e gostando ainda mais de mim, neste espaço tive a oportunidade de saber o
que vocês sentem ao ler e a opinião do que havia lido. Respeito cada palavra
que aqui for dita, porque é elas o sentido deste espaço ainda existir.
Não sei se
tornarei um escritor consagrado, no entanto, as palavras já me permitiram
realizar grande parte deste mesmo sonho.
Por: Wesley Carlos
DOIS ANOS DE ESSÊNCIA DA PALAVRA
Obrigado a todos que participaram comigo até este segundo aniversário, construí este espaço com muito carinho e sem vocês nada disso aqui teria razão para existir, as palmas abaixo são destinada a você: Leitor!
