sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Usurpação

Nosso verde está sendo levado...
Impureza! Oh, pecado!
...
Nesta ânsia por dinheiro...
Impureza! Oh, pecado!
...
Nossa água cada dia mais poluída...
Impureza! Oh, pecado!
...
Nesta rotina capitalista...
Impureza! Oh, pecado!
...
Nossa vida sem devido tratamento...
Impureza! Oh, pecado!
...
Nesta vida desdenhada de impurezas,
para se criar as mais inaceitáveis purezas,
que compram no instante que condenam
essa nossa sociedade
...
Nosso verde, nossa água, nossa vida...
Impurezas! Oh, pecado!

Por: Wesley Carlos

domingo, 18 de dezembro de 2011

A Festa Anual das Extenuações

A chuva que se desprendia das nuvens não impedia que algumas pessoas se descolassem até o mercado e as lojas para efetuarem as últimas compras de natal. Fiquei por instante calado e observando as pessoas trafegaram de um lado para o outro, olhando as vitrines, correndo da chuva, deixando as sacolas caírem...
Mirei o olhar ao chão e suspirei: há tempos a essência natalina desfalecera na sociedade. O consumismo exagerado empacotou o amor que hoje é vendido pelas lojas e expostos em vitrines.
As pessoas comemoram, anualmente, brindando com a infelicidade a morte do amor da sociedade. A data, que se refere ao nascimento de Cristo, é também o comprovante do óbito do espírito social de todos nós.
O natal hoje é a abominação do ser afável. É como se não houvesse vidas, não existissem sonhos. É como se fossemos produtos e o capitalismo o comprador de nossa essência natalina.
Se observarmos fica nítido perceber que a fome ainda não acabou, as desigualdades ainda não acabaram, a miséria ainda existe. E os “seres de amor” desfrutam de banquetes, estão no alto das pirâmides esquecendo-se dos que estão abaixo e a luxuria somado a gula resulta neste egoísmo perceptível que demonstra a velocidade que a sociedade caí para o abismo escurecedor de nossos olhos e extingui da vida, a vida e o direito de viver.
A sociedade se mantém em um processo de deiscência e a amenização do amor a cada ano, e sua inversão de valor, levará de forma influenciadora ao mesmo declínio a nossa sociedade jovem.
Os slogans de produtos tratam o natal como à época do amor, época da afloração de sentimentos. Desacredito que este amor existe por passarmos uma ceia natalina sabendo que em algum lugar do mundo alguém passa fome, passa frio... Ou eles não são seres de amor? O amor, então, só atinge alguns? Há, no entanto, uma divergência.
De que importa comemorar o natal? Cristo nasceu, mas onde está o amor que ele nos recomendou para com o nosso próximo? A solidariedade ainda existe? Por que atos bons andam tão ocultos dentro de nós?
A bondade já não domina mais nossas atitudes. Anunciamos anualmente que o amor existe, e anos vem e vão com esta mesma ausência, com esse incomodante passeio ao seio da insignificância, com essa aprimoração no ato de abraçar a falta de coragem de lutar por um mundo melhor, um mundo onde transborde amor, e assim, exista natal.
A essência natalina é agora presentes e banquetes. Cristo nasceu e fez coisas maravilhosas em nosso meio, atitudes que provaram quão grande amor tem por nós. O que você fez para mostrar o amor pelo teu próximo? Fez algo para dissipar a fome? Lutou contra as desigualdades? Protegeu os inocentes? Empenhou-se para o mundo ser melhor?
Sem respostas, levo-me somente a lembrar daquela canção: “Noite feliz... Noite feliz...” A chuva já cessara lá fora, a escuridão da noite já caíra sobre o céu de estrelas que brilhavam tanto quanto as janelas rodeadas de luminárias por toda a vizinhança.
                 Ali próximo um homem de pés descalços, de roupa suja e perfurada, remexia em uma lata de lixo procurando algo para comer, para vender, enfim... Procurando algo para se manter vivo! Será mesmo que todos estão felizes? Pense bem!
Por: Wesley Carlos

O Dia Seguinte

                - Fernando! – grita uma voz feminina do cais da praia acenando para um rapaz sentado sobre um tronco na areia enquanto corre batendo seus cabelos lisos e pretos ao vento e ele, a poucos metros, ficava a olhando calado.
                Era uma manhã de domingo, o tempo estava nublado e algumas andorinhas passeavam pelo céu. A margem estava vazia e era possível somente ouvir o som da água beijando a areia ao som suave e melancólico das andorinhas. Clara, a jovem que antes gritara, se aproxima de Fernando que já não a olhava mais.
                - O que faz tão cedo por aqui?
                - Estou refletindo... – disse em tom sério e abafante que Clara teve de se esforçar para ouvir.
                Fernando mirava seus olhos a areia e começava a traçar algo que Clara observava tentando desvendar antes que terminasse. Os sons emitidos pelas andorinhas calavam o silêncio expresso por eles.
                - Estive por aqui ontem – comentava Clara sem perceber que Fernando não mostrava interesse pela conversa – e resolvi voltar hoje. Eu sabia que antes de amanhã você viria aqui...
                - E porque quis vir? – perguntava ele mantendo a mesma tonalidade de voz que a anterior.
                - Preciso muito lhe dizer algo, talvez depois de hoje as coisas mudem entre nós.
                - As coisas entre nós já mudaram a muito tempo, Clara. Você que ainda não percebeu... Não há mais “nós”, na verdade nunca existiu, agora sou “eu” e, talvez, “você”.
                - Eu sei... Pode falar o que quiser, todas as palavras serão merecidas. Mas aquilo no passado foi medo.
                - Medo? Se fosse medo, nada disto teria acontecido. Se fosse realmente medo não teria me dito que aquilo. Se fosse simplesmente medo você não estaria aqui... – desabafava ele ainda em tom baixo, mas desta vez deixava uma pequena lágrima caminhar em sua face e se desprender pelo ar.
                - Mas eu não vim para falar do ontem, venho para falar de amanhã...
                - Não tenho nada para falar sobre isto.
                - Mas eu tenho, só queria que me ouvisse.
                Ele suspirou fundo, passou o polegar sobre os olhos e olho na direção contrária AA jovem ainda mantida em pé.
                - Quero que me perdoe, Fernando!
                - Clara, para com isso, por favor! Você sabe que lhe perdoei antes mesmo de cada perdão que me solicitou. Você sabe que o que existe em mim, e que já foi para você, exalava perdão para cada ato teu. Mesmo me machucando, me ofendendo. Não tinha como não lhe perdoar...
                - Então olha em meus olhos e diga que me perdoou.
                - Não posso...
                - Não pode me olhar ou me perdoar?
                - Dou-te como resposta sua primeira pergunta...
                - Porque está economizando palavras? Conversa comigo, Fernando. Olha-me como antes, brinca comigo como antes, sorria como antes...
                - Clara, pare! Não toque em feridas curadas... – falava ainda olhando na outra direção na tentativa de esconder as pequenas lágrimas que caíam.
                - Então você irá mesmo noivar amanhã?
                Um frio intenso começa a percorrer o interior de Fernando, suas mãos começaram a ficar tremulas, seu semblante mudava espontaneamente, a língua junto aos outros órgãos ficavam na dúvida do que responder. Ele se pôs sobre os pés, mirou os olhos dentro dos dela, ambos lacrimejavam, não se ouvia ondas, nem andorinhas, parecia que tudo estava em silêncio para ouvir a resposta dele. Clara via sua face através dos olhos claros de Fernando que ainda mirava calado os dela, eles acabavam falando por Fernando o que Clara queria ouvir, mas que não ouviu.
                Fernando suspirou, algumas lágrimas já desciam de encontro ao queixo e balbuciou engolindo a própria saliva:
                - Sim... – e virou-se a dando as costas.
                - Fernando, mas e o teu amor?
                - Não há mais amor...
                - E todo aquele amor?
                - Por que quer saber dele agora? Logo agora? – perguntava colocando a mão no cabelo como se estivesse confuso.
                - Porque eu te amo, Fernando. Demorei perceber que é você o homem da minha vida. Demorei me deixar levar nesta relação... Eu preciso de você para me fazer feliz, para sorrir comigo. – dizia ela entre lágrimas.
                - Clara, eu insisti nisto por três anos. Preservei-me por três anos... E o que eu ganhei neste tempo? As coisas não seguem o rumo que você quer. Eu não sou teu pertence para recuperar a qualquer momento. Aquela foi a última vez que eu tentei, foi...
                - E o amor? – perguntava ela.
                - Não há amor... –mentia Fernando, agora sentando no tronco, sentindo mais dor ao responder que Clara ao ouvir.
                - Isto é mentira! Eu sei e você sabe que é. Dê-me outra oportunidade?
                - Eu não quero me dar esta oportunidade...
                - E quer ser infeliz consigo mesmo para o resto de sua vida?
                - Clara, vamos parar com isto! Pare de mexer com este sentimento. Eu não quero mais...
                - Fernando, não minta para você – interrompia Clara segurando o braço de Fernando que se levantava ficando de frente a ela – Por favor, Fernando, me perdoa.
                Fernando já não controlava as lágrimas, não sabia se a olhava, se evitava olhar, se saía correndo ou se entregava a aquele amor que o impulsionava ao desejo dos outros lábios.
                - Se é meu amor que quer como perdão, Clara, eis que não terá meu perdão.
                - Como pode se negar algo? Eu estou aqui falando do meu amor, sei que ainda me ama...
                -Amanhã eu irei noivar com alguém que me ama muito. Eu agora vou valorizar o sentimento dela. Não tenho medo de correspondê-la, não tenho medo algum do sentimento dela. Vou te esquecer e aprender a amá-la. Quero que vá. Quero que não fale mais comigo, se distancia de mim...
                - E como eu fico, Fernando? – disse com as mãos na face e chorando dentro delas - Como, meu amor?
                - Da mesma forma que eu fiquei todo este tempo sem você.
                - Você está se vingando não é? Pode falar, pode dizer do teu orgulho. Mas eu vou insistir nesta relação...
                - Vingança? Orgulho? Nossa! Você realmente não me conhece...  Se houvesse tudo isto que em mim não haveria amor, nunca existiria todo aquele amor que já lhe ofereci. Eu não vou desfazer o meu noivado simplesmente porque você resolveu me aceitar agora.
                - Dê-me pelo menos sua amizade? – pedia ela e via-se o tom e o semblante sincero em sua face, naquele instante, tão triste.
                - Tinha tanto receio em perdê-la, mas parece que se foi... Eu já tenho minha casa quase mobiliada, tenho família, a mulher que me ama, verdadeiros amigos... Não sei se quero começar algo novo agora.
                - E aquele jovem humilde e meigo que despertou este sentimento em mim? Onde está?
                - Novamente me chamando de orgulho. Mas isto não é orgulho... Cansei de ser movido por você e por aquele sentimento. Acho que o jovem humilde resolveu despertar e você ficou presa ao sonho dele... – e cada palavra que ele dizia remexia cada vez mais em seu interior, doía mais nele ao falá-las que a pessoa amada ao ouvi-la, mas ele se vencia aos poucos e mesmo com lágrimas insistia em dizer – Adeus, Clara, adeus...
                E sem tocá-la, virou-se e seguiu. Clara se ajoelha na areia e libera as outras lágrimas que havia conseguido segurar durante os minutos de diálogo. Senta-se no tronco e observa o romance da onda com a areia, as andorinhas já tinham partido e começava a cair sobre si um leve sereno. Clara passa o dedo pela areia e se depara com o tracejado que Fernando havia feito. Olha em volta a sua procura e percebeu que estava só com todo aquele sentimento que em um passado não tão distante havia ignorado e que hoje não a ignorava.  
                Volta com os olhares ao traço feito por Fernando na areia para avaliar a fundo o que era, mas a onda já vira e apagara.
                Ela suspirou, levantou-se, caminho alguns passos e se lançou ao chão de minúsculos grãos: querendo que o sentimento a transformasse em areia e que a onda o carregasse e o perde-se na imensidão do mar. Ficou ali até o fim da aurora, mas sem encontrar teu fim, sem reconhecer teu fim, sem viver o sim que desejava.
                Atrás de algumas folhagens a observava Fernando, pensando se voltava ou não, pensando se valeria à pena ou não, pensando no fim que poderia viver, mas que não estava apto a entrar em sua história... 
Por: Wesley Carlos


domingo, 4 de dezembro de 2011

Intrepidez


Foi com medo de sofrer, que sofri
Foi com medo de sonhar, que sonhei
Foi com medo da vida, que vivi
Foi com medo da alegria, que sorri
Foi com medo de olhar, que olhei
Foi com medo de tentar, que tentei
Foi com medo que sonhei o medo que não vivia
Foi com medo, que realizei o que o medo não me permitia
Foi com medo de possuir tanto medo que medo realmente não possuía
Por: Wesley Carlos

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Inane Transição

Você vai e vem
Vai e vem
Inda e vinda
E eu fico
Eu fico
Eu aguardo
Não vou contigo
Retornas sem mim
No passeio surgem outros
E eu fico
Eu fico
Eu aguardo
Inda e vinda
E eu aguardo
Na sala de espera da espera inexistente
Fico, aguardo
Aqui dentro de mim...
Por: Wesley Carlos
Este texto foi escrito há certo tempo, com mais exatidão ele fora escrito antes do texto Pingo de Esperança, não se trata da forma que estou hoje, mas sim da "essência" que muitos se encontram. O que você espera hoje? Será apto esperar? Será que ela virá estando você somente esperando? Já tentou? Insistiu? Quando escrevi este "poema" eu aguardava a "felicidade", e ela não apareceu sem me ver lutando. Então, inicie sua luta agora saia de dentro de você e insista... Vale a pena, pode ter certeza!! No mais, revigoro meu muito obrigado!