domingo, 29 de maio de 2011

Para Sempre Você

Você pode me odiar,
que eu te amarei.

Você pode tentar me matar,
que eu lutarei por sua vida.

Você pode me entristecer,
que no mesmo instante retiro um sorriso teu.

Você pode me ignorar,
que eu faço tudo para te encontrar.

Você pode até mesmo não existir,
que eu criarei você.

Você pode me bater,
que eu te faço carinho.

Você pode me fazer chorar,
que eu ofereço o meu ombro quando precisar.

Você pode me excluir de sua vida,
que eu te incluo na minha.

Você pode não ser você,
que eu serei outro para te ter.

Você pode fugir de mim e se perder,
que eu te ajudo a reencontrar o caminho.

Você pode me jogar ao chão,
que eu te ofereço apoio para levantar.

Você pode ter vergonha de mim,
que eu fico em oculto só para te ter.

Você pode passar e nem me olhar,
que eu incisto em tentar.

Você pode até ir para o outro lado do mundo,
que eu faço do mundo o amor entre nós.

Você pode casar-se,
que eu ainda te esperarei.

Você pode pedir minha ajuda com outro,
que eu te ajudo apenas para ver-te feliz.

Você pode me procurar somente nos momentos de desespero,
que eu estarei pronto a te ajudar.
  
Você pode até mesmo me matar,
que eu renasço novamente para te amar.

Você pode, você pode, você pode...
Faça tudo que desejar, que ainda fico a te aguardar!
Por: Wesley Carlos

terça-feira, 24 de maio de 2011

Cicatrizando Feridas

              Os arbustos balanceavam agarrados aos pinheiros um intenso tango do por-do-sol. O dia estava caminhando lentamente e virando o distante horizonte, logo atrás, um pouco apressada vinha a  noite com toda sua escuridão. As ondas do mar beijavam a areia com intensidade. Caminho sobre a ponte, sento-me em seu término e começo a observar o desencontrar da natureza.
               Abraço minhas pernas e sinto-me de forma nunca sentida antes. O silêncio me fazia companhia, e conversava comigo para acabar com minha solidão, por vezes com um sorriso pálido e irônico.
                O céu estava alaranjado, o mar vermelho e via-me com uma mancha escura em torno de mim que poderia impedir outros de me verem. Chovia sobre a ponte, mas não sobre mim, e aquilo ao invés de confortar-me somente aumentava minha dor. Pôr minhas lágrimas para fora, ou não, não fazeria muita diferença. Era necessário libertar algumas palavras, mas meu companheiro parecia não querer ouvir-me naquele momento.
                Em instantes surgiu uma longa escada diante de mim, e via-me parado nela. Ao invés de subir eu regredia e parecia estar mais disposto fazendo isso que o inverso. Sentando sobre a ponte, e ainda abraçado a minhas pernas, começo a me incomodar ao ver minhas disposição em regredir. Quando gritei para alerta-lo, mas na verdade estaria me alertando, a luz e a escada desaparecem. Parecia ser inútil aquela ação, tal quanto sentia-me ao estar ali.
               Solto minhas pernas, levanto-me e caminho em direção a margem. As ondas cobriam e descobriam a ponte, e molhavam meus pés com seu toque frio. Começo a caminhar sobre a areia e observo a marca de minhas pegadas sobre ela. E notei que era daquela mesma forma que eu estava: marcado por palavras, por atitudes, por humilhações...
          Enquanto caminhava e observava as pegadas, surge uma onda que em contato com a areia a movimenta o que fez apagar as pegadas marcadas nela. Parei, e me vi sorrindo. O silêncio não seria o melhor companheiro naquele momento, nunca ele poderia fazer as marcas dissiparem.
                Já era noite, a lua iluminava o mar. A praia estava deserta. Não havia ninguém nas margens, nem próximo a estrada. A areia, porém, se encontrava cheia de pegadas. E parecia ser um longo trabalho para as ondas ter que apagá-las.
                Sinto um arrepio na pele, e sento-me na areia. Olhava ao céu e via a marca das estrelas, olhava a lua e via a marca de suas crateras, olhava ao mar e via a marca das inúmeras ondas. Sim, marcas... Todas tão belas! Eu estava marcado, mas poderia tornar aquilo belo se obtivesse uma companhia. Nem as estrelas, nem as crateras, e nem as ondas se encontravam sozinhas, por isso não perdiam sua beleza, sua vitalidade...
Ouvia a voz das ondas, naquele instante estava tentando me enganar que nada daquilo era real, que eu não fosse real.
Passo o indicador de leve na areia, como se tocasse o mar, e traço uma face sorrindo.
Eu me vi! Não. Na verdade eu não me vi, eu estava! Não. Na verdade eu não estava, eu sentia! Não. Eu não sentia, eu estava vivendo aquilo. E sorri, na verdade foi inevitável não sorrir. Eu estava feliz! Não. Na verdade eu estava alegre. Não... Não... Não! Eu só estava ali... Vendo, sentindo e vivendo aquele sentimento, porém ainda sua dor.
Não houve mais nada, nada mais houve ali. Restava eu e meu sentimento, nada a mais, nada além!
Se essa era a ferida que causava dor, seria necessário cicatrizá-la.
Erguei-me e progredi.
       Por: Wesley Carlos               

domingo, 8 de maio de 2011

Acessibilidade e a Renúncia Social

Era um sábado lindo: o sol logo pela manhã estava radiante, mas não reprimia a brisa fria e serena que vinha da direção do mar. Era cedo, estava indo ao curso de informática e logo toda essa beleza matutina foi se dissipando: o canto dos passáros era substituido pelas buzinas e ronco dos motores dos carros, a luz do sol pela sombra dos toldos das lojas e a natureza deixa de ser observada pelas pessoas com os olhos vidrados nas vitrines.
          Espero o transporte coletivo chegar e já me deparo com o caos da super lotação, do mal humor das pessoas e com a ausência do espírito social. Era um ônibus especial com elevadores para cadeirantes, mas que estava totalmente cheio e apertado.
           Enquanto o motorista guiava o ônibus fui analisando as conversas ali dentro, uns inconformados outros nem tanto, até me deparar de frente com o preconceito e com a mente anti-social da população.
      O ônibus para. O motorista pede licença aos passageiros que ocupavam o local reservados aos cadeirantes para desocupa-lo: um cadeirante lá fora aguardava sua entrava. Logo ouvi os primeiros comentários enquanto uma moça pisava em meu pé com o salto fino da sandália:
         - Nossa, motorista! O ônibus está cheio. Manda ele ir no próximo! – disse uma senhora sentada no assento preferencial segurando uma revista de fofoca.
          Ela iria gostar de esperar o próximo? Como qualquer outra pessoa ele também possuí um horário a cumprir, será que ela não consegue perceber isso?
           - Ah, motorista – dizia outra – não vou sair daqui não. Essa cadeira ocupa muito espaço.
       Então porque ela não se retira do local reservado a ele? Porque ela não ocupa o cérebro com a acessibilidade? Será que é tão dificil viver em uma sociedade, mas ser social? Será possível respeitar as diferenças? Reconhecer as dificuldades de outrem?
          Queremos tanto nosso próprio bem, mas e os outros? É o egoísmo que move o mundo? Porque existe o preconceito? Porque não reconhecemos nossos erros? Porque apontamos e julgamos, mas não aceitamos ser reprimidos?
          Existe o mundo que dividimos com outros, sempre haverá conflito se não soubermos ser sociais e ter sociedade. Nenhuma sociedade é social o bastante para julgar outra. O que precisamos é repensar nossas atitudes, parar com certos atos e analisar as dificuldades que os outros possuem naquilo que você faz tranquilamente. Todos nós somos humanos: sofremos, nos entristecemos, sorrimos, nos divertimos, enfim... Somo iguais!
         A arrogância é o que nos faz diferentes. Nunca existirá paz ou uma felicidade por completo do mundo, pois sempre terá uma pessoa ignorada, mal tratada ou  "evitada" devido a suas diferenças.
       Se todos se colocassem no lugar de um cadeirante e reconhecem-se suas dificuldades iríamos nos deparar com muitas lágrimas e com o nosso arrependimento. Não basta ter acessibilidade se as pessoas não respeitam as diferenças, nem preservem essa necessidade.
         Se posso mudar, se posso ser diferente, se posso fazer o bem. Porque não mudar? Porque ser igual? Porque fazer o mal? Pense bem! 
Por: Wesley Carlos