segunda-feira, 25 de abril de 2011

Insensata Forma de Viver

                                              


     - O que tens de mais importante em sua vida?
        Foram as primeiras palavras que vagavaram no ar antes do intolerável silêncio. Ela me observava, calada, aguardando minha resposta, eu a encarava nos olhos mas não sabia o que responder. Depois de um longo tempo concluí:
        - A minha família.
        Ela sorriu irônica de minha resposta.
        - Acha mesmo que sua familia é o que tens de mais precioso? Qual deles está aqui neste momento para te impedir de fazer isso? Será que depois de algumas lágrimas eles sentirão sua falta ou cairás no esquecimento?
        Ela fitava meus olhos como se estivesse me desafiando. Novamente o silêncio volta acompanhado do inicio do por do sol.
        - Não, realmente estes não são os mais importantes. – respondi calmamente.
        - Então o que seria?
        Aquela pergunta era desafiadora. Não sabia o interesse dela naquela resposta, mas me sentia capaz de responde-la. Ainda me mantinha sentado na mureta de proteção da ponte com os pés para dentro.
        - Meus amigos! São estes que tenho de mais valor.
        - Ah! Seus amigos... Alguns deles se importaram com o que veio fazer aqui hoje? Faz tempo que nenhum deles te procuram não é? Como será que eles estão? Eles sabem como você está? Já faz duas horas que está aqui e nenhum deles se incomodaram com sua ausência. Nem sua familia, nem seus amigos... É somente isso que é importante para você?
        Fiquei calado procurando respostas e não obtia. O sol já tinha ido e a brisa fria batia-me na face. Segurei firme no cabo de aço e me virei de forma que meus pés ficavam livres no espaço, pronto a serem lançados ao mar.
        - Antes de fazer o que desejas, necessito de sua resposta. Essa pode ser a última pergunta e ainda há uma chance de acerto. O que é importante em seu viver?
         - O amor de minha mulher.
         - Ah! Claro! Sua esposa... Ultimamente ela anda mesmo te amando e mostrando isso não é? Mas no passado não tão distante já sofrestes tanto por ela para hoje nem ser agradecido. Deu teu sangue por este casamento para ser tão rápido esquecido. Nossa! Isso deve ser mesmo, super importante...
         - Se sua intenção é me fazer desistir de lançar-me ao vento com essas palavras é melhor parar que não está conseguindo.
         - Mas não estou querendo nada. É você que quer isso por isso estou aqui... Diga-me o que tens de mais importante?
         Abaixei a cabeça, suspirei fundo e finalizei:
          - Nada mais importa! Nada tenho de valor...
          - Será que é no importante que somos felizes?
          - Se for, por isso não sou...
          - É mesmo necessário ter algo importante para ser feliz?
          - Não sei, é o mais especial que nos cativa!
          - Então, diga-me, o que tens de especial?
          - Nada, moça. Não tenho nada. Minha familia, meus amigos e meus amores... Todos me abandonaram.
          - Ah! Então a vida só é feita disso? Somente isso pode lhe fazer feliz?
          Solto o cabo de aço e me coloco sobre os pés em cima da mureta pronto a me lançar. A lua surgira derrepente e nunca tinha parado para perceber sua beleza. Já estava ali a mais de duas horas, só bastava pular e finalizar aquela tristeza, mas aquela pergunta me limitava. Era necessário saber o que era mais importante para saber o que perderia se me lançasse ao mar.
           - Você disse que não tem familia, amigos e nem amores. Então o que você tem?
           - Eu me tenho! – falei entre lágrimas – Eu me tenho...
           Ela sorria como se aquele sorriso fosse liberto de dentro de mim. Quem seria ela? Porque insistia em me impedir?
           - Então, o que tens de mais importante, senhor?
           - A minha vida?
           - Não me responda com perguntas. O que tens?
           - Porque não posso lhe perguntar?
           - Porque não sou uma resposta. Sou uma pergunta. Não questiona-se, o tempo passa. Diga-me o que tens?
           - A minha vida...
           - Será necessário algo mais importante?
           - Se não obter vida, nada mais importa...
           - O que é essa vida?
           - Me sinto vivo quando estou feliz!
           - E você está feliz?
           - Eu não sei o que é ser feliz...
          Novamente sento-me na mureta de proteção e segurava firme o cabo, já com medo de cair. Começava a vir junto ao vento gotas finas e frias de chuva. Da ponte via-se a cidade iluminada, o céu não tão escurecido e o mar, abaixo de mim, tão escuro e sombrio como meu ser.
           Ela somente me olhava esperando eu dizer outras palavras.
          - Eu não sei o que é ser feliz por me negar essa oportunidade. Eu tenho o que mais importa, mas não sei usa-lo ao meu favor. Quando me sinto feliz, sinto que não estou o bastante para continuar. Quando estou triste, sinto que estou além do que posso suportar. Como me convencer de que sou importante para mim se eu mesmo não me caso orgulho?
          - No inicio você não sabia nem o que tinha de mais importante. Agora já sabes, não quer se dar uma nova oportunidade?
Levanto-me e grito:
          - E provar que nada disso vale a pena? Que sou por parte ignorada, pelas autoridades enganado, que a felicidade não existe? Vale mesmo a pena querer viver para quem não dá a mínima se estou vivo?
         - Você não deve viver para os outros. Antes de viver para os outros é necessário viver para você.
        Sento-me novamente, desta vez com os pés virados para dentro da ponte. Várias lágrimas desciam em minha face, mas não havia ninguém ali comigo para secá-las. Começo a caminhar na ponte de volta a cidade. Desamarro o casaco da minha cintura e me cubro.      
         Minha vida acabara de provar que era o mais importante em mim. Tudo passa: familia, amigos, amores, tristezas e alegrias. Tudo! Mas eu possuía o de mais importante e que eu não me importava.       
         Percebi que estava vivo. Foi apartir daquele momento que soube o quanto era importante minha vida e minha vontade de querer viver. Sempre!
Por: Wesley Carlos
                

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O Dom de Ser Capaz

** Dedicado a todos os alunos do CEFET/RJ

Fico pensando o que é necessário para tornar as dificuldades escassas e os medos extintos. Fico pensando, o porquê que o desespero é a barreira para a resolução. O que nos dificulta? O que nos assusta? O que nos impede? Incomoda-nos? Assombra-nos?
É possível ser calmo em um momento tenso? É possível ter certeza em um momento de dúvida? Existem dois seres em nós: o da dúvida e o da certeza, o do medo e o da coragem, o ousado e o tímido. Mas é o oposto que nos impossibilita, é o que nos impede.
Podemos ir longe, voar alto...  Mas só poderemos se um dia tentarmos. Devemos ser ousados e acreditar... Acreditar que somos capazes, que o mérito é uma conquista, que o erro é falta de atenção e que a dúvida não é falta de conhecimento.
A dúvida vaga no espaço, nos recolhemos-as e não a devolvemos a ele. Um grupo, um ser e o meu ver nada importam se eu não quiser ser melhor ou tentar ser... Mas o medo, já acompanhado da dúvida, nos cala. E o nosso “eu” se acomoda nisso. Existe um sonho a espera de alguém, existe uma realização a ser conquistada, mas existe a dúvida para impedir. Sempre a dúvida...
Percebemos que somos guiados por perguntas, mas somente seguimos ao conquistar as respostas, mas o medo por vezes nos impede, e assim não crescemos no saber.
O receio chama a timidez, e isto nos limita. Nada mais passa a ser importante, nada... Passamos a ser movidos por respostas já obtidas, sonhos já sonhados e os mesmos medos já vividos. Quando tornamo-nos ousados o bastante para desejar o novo o oposto do eu se desperta. Passamos a nos descobrir por está descobrindo o mundo. As dúvidas vão dissipando, os medos se extinguindo e o sucesso aos poucos sendo alcançados.
Caminhe, mas se deparar com um rio sem ponte a construa, porém não pare! Se deparares com um muro e não obter forças para derrubá-lo pule, mas não pare! Vai seguindo, vai sonhando, vai tentando...  Por mais que a ponte caía e que o muro seja alto, tente. O sonho só será realizado por quem um dia tentar.
A escuridão existe, dela não podemos esquecer, mas a luz está naquele que a quer enxergar, quem desejar a ter presente e constante. Se não vemos, não tentamos. Mas ao vermos enfrentamos.
O medo excluí a luz e com isso o querer saber tornar-se mais claro o desafio. O medo e o desespero nos impossibilitam, sempre será assim, até percebemos que é errando que aprendemos e aprendendo evitamos o erro e sem o erro chegamos ao objetivo.
A vida será um pouquinho melhor na ausência de tudo aquilo que nos perturba.
Não são as realizações que nos fazem grandes, são as tentativas. Cada uma nos possibilita uma aula que guardamos como prova de ensinamento.
Depois que conquistarmos a dúvida e de aniquilar o medo perceberemos que não estávamos vivendo. Vivemos quando passamos a escrever nossa história, e não viver sob opiniões ou conceitos alheios.
Tudo que existe, se existe, foi porque um dia tentaram. Se erraram não sei, se quase desistiram também não, mas foi necessário tentar. Este é o dom de ser capaz!
Para que ficar parado? Assim o medo só se torna maior, a dúvida irreconhecível e o desespero perpétuo. Vamos abolir tudo que nos impede, nos limita. Os olhos humanos não enxergam o coração então medite, imagine e descubra. O que te faz feliz?
O ritmo da vitória é inferior ao da tentativa, pois é esta que nos possibilita a vitória e nos encaminha a ela, que como consequência nos sobra à felicidade.
Sonhe sempre! Tente! Tentar não é errar, errar é ver o mundo mudando e continuar parado, preso aos seus medos e dúvidas. Existem mil problemas, mas existe você: apto, sonhador e capaz. Sempre será capaz!
Contudo, sejamos sensatos. Se fizermos tudo que pensamos o mundo seria um verdadeiro caos, mais ainda do que é. Reflita, este é o segredo. Cada ideia vale muito se soubermos aplicá-la corretamente. Nem por isso se cale, a vida está aí para ser vivida, mas pense bem. Pense sempre!
Por: Wesley Carlos

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Economia & Vida


      Vivemos em uma sociedade totalmente desigual, onde ocorre uma inversão de valores que acaba colocando a vida a serviço da economia, mas que deveria ser totalmente ao contrário. Temos hoje uma economia voltada para o benefício de uma minoria privilegiada, e é esse o maior erro. Enquanto a grande massa da população continua excluída ou rejeitada, um pequeno grupo a cada dia vai se enriquecendo injustamente.
      É impossível falar em economia sem falar em vida, afinal, é este o fator responsável por seu desenvolvimento. Quando ouço sobre economia dramaticamente a recordação que tenho é da imensa desigualdade social brasileira e consequentemente nas péssimas qualidades de vida da maioria da população, que é gerada pela má distribuição de renda no país.
      Atualmente, fatores como desemprego, habitação, educação, saúde, entre outros, estão condenados ao fracasso. Fatores que se resultam da grande desigualdade sócio-financeira e principalmente da má aplicação de verbas públicas.
      A dissonância entre baixas e altas classes sociais estão diretamente ligadas à renda. Os altos impostos acabam provocando uma divergência com o salário recebido e seu consumo mensal, desde alimentos a vestuário, ocasionando a grande diferença entre ambas as classes.
      Em alguns países desenvolvidos, pagam mais impostos quem ganha mais, já nos subdesenvolvidos o preço de impostos em produtos de consumo se mantém a todos, sendo assim, os impostos pesam mais no bolso dos que ganham menos.
      O Brasil possui uma economia alta, o atual problema é a aplicação desde dinheiro pelo território brasileiro em benefício de todos, não somente da minoria da população como geralmente ocorre. Enquanto os filhos de ricos entram em universidades, se formam e passam a ter um bom emprego; os filhos de “pobres” dificilmente chegariam por lá.
      O desemprego é um dos maiores problemas a serem enfrentados e principalmente vencidos. Acompanhado dele, temos a falta de moradia, e principalmente, a fome. Enquanto temos pessoas lançadas nas calçadas ao extremo da miséria; outras estão em mansões se alimentando do melhor.
     O Brasil não cresce nem se desenvolve por inteiro, devido à má distribuição de renda. A miséria e a pobreza só serão totalmente abolidas, quando o governo parar de retirar dos que não tem “nada”, o pouco “ do nada” que os resta.
       Este é o grande erro dos países subdesenvolvidos e o principal fator ligado ao seu declínio sócio-financeiro. Por que quando falamos em vida, falamos em seu bem estar e não somente na sua participação na economia nacional.
       Economia e vida andam extremamente distintas e tornam-se um dos problemas mais sérios, pois o aprofundamento das desigualdades sociais aumenta o abismo entre ricos e pobres. O que falta é a “ponte” da compreensão para ligar e unirem ideias que deveriam andar sempre juntas e acelerarem o desenvolvimento nacional.
       Talvez não seja tão difícil ver, analisar e julgar este sistema econômico injusto que, atualmente, está entre nós criando uma multidão de marginalizados pelo país. Mas agir de maneira eficaz contra isso, talvez seja esse o nosso maior desafio.
Por: Wesley Carlos